O gerente do Clarín falou sobre as dificuldades dos jornalistas no meio tecnológico
Foto: Reinaldo Marques/Terra
- Vagner Magalhães
- Direto de São Paulo
O gerente de novos meios do Clarín Global, Marcos Foglia, afirmou nesta quarta-feira no MediaOn, maior fórum de jornalismo da América Latina, que o que está em jogo neste processo de revolução digital é o tempo das pessoas. Para ele, é um grande desafio disputar espaço com a concorrência global. "É uma disputa não apenas por conteúdo, mas também por plataforma. É uma batalha incessante. Estamos disputando o tempo das pessoas. Se ela está fazendo uma coisa, deixa de fazer outra. Se ela está lendo um e-mail, não está navegando pelo conteúdo", disse. O Clarín é o maior grupo de mídia argentino. A apresentação teve a mediação de Heidy Vargas, professora titular da Universidade Metodista de São Paulo.
O gerente afirmou que um dos desafios dessa revolução tecnológica é mudar a cultura dos jornalistas, principalmente os mais antigos. Segundo ele, alterar a rotina de trabalho dessas pessoas é algo que precisa ser trabalhado diariamente. De acordo com Foglia, mudar os processos de formulação das notícias não é algo tão simples como parece. "Os mais antigos não tem a capacitação para atuar nos meios que existem hoje. É muito difícil mudar a rotina do trabalho deles". Segundo Foglia, o jornalista estava acostumado a atualizar as notícias a cada 24 horas, mas "agora isso precisa ser feito o tempo todo".
Ele afirmou que o Clarín tem um portfólio com veículos de todos os tipos, que vão desde jornais e sites de notícias até produtos voltados para vídeo, rádio, blogs e sites de anúncios. "É preciso trabalhar em todas as áreas, já que a internet tem vários nichos. A arrecadação de receita deste meio está mudando e é preciso estar atento a todas as possibilidades".
Foglia afirmou que até pouco tempo atrás, publicava-se uma nota e ela passava o dia inteiro sem ser atualizada. "Olhando para isso hoje parece ridículo, mas não faz tanto tempo que era assim", afirma Foglia. "Este é um movimento chave em que precisamos de habilidade e agilidade para levarmos esta revolução adiante".
O gerente do Clarín afirma que é preciso replicar o êxito dos produtos off-line no mundo online-mobile. "A baixa circulação e a queda publicitária obriga a repensar a estratégia as companhias". O gerente minimizou o período de crise econômica ao afirmar que o mercado publicitário reagiu bem e que ela não foi muito sentida pelos veículos de mídia. "A internet deve ser bastante beneficiada pela migração desses recursos nos próximos anos".
Porém, se disse incapaz de prever qual o futuro dos jornais impressos, justificando que não é guru para dizer se eles vão desaparecer ou não. "O que eu posso dizer é que eles vão mudar muito em relação do que aquilo que existe hoje. A informação vai estar muito mais ligada aos meios eletrônicos".
Foglia afirmou que é preciso investir muito para não perder a qualidade do material jornalístico, mas disse que aqueles que tentaram cobrar por conteúdo, não tiveram sucesso. O conselho para aqueles que pretendem ingressar neste mercado é permanecer a maior parte do tempo ligado à rede. "Quanto mais tempo tiver conectado, mais habilidades vai ter para trabalhar em um meio digital".
- Redação Terra











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