O capitão Marcelo Vaz, 38 anos, que era o piloto do helicóptero que foi alvejado por traficantes no último sábado, no morro dos Macacos, na zona norte do Rio de Janeiro, disse que soube ainda durante o voo que policiais haviam sido baleados dentro da aeronave. "Nós inclinamos para a esquerda e no final já estávamos sem motor. Eu escutava vozes e sabia que alguns deles (equipe) estavam baleados, mas não sabia quem era", contou em entrevista coletiva no Grupamento Aeromarítimo (GAM), em Niterói, região metropolitana do Rio, na manhã desta sexta-feira.
O capitão explicou também que percebeu quando a aeronave foi alvejada e que ouviu a tripulação gritando que havia fogo. "O Fênix 2, que nos dava apoio, também informou sobre o fogo, mas o painel da aeronave ainda não. Então procurei me distrair e desviei para o pouso. Eu sabia que existia uma pedreira próximo ao local, até que eu avistei o campo de futebol".
O capitão voltou a pilotar nesta sexta-feira, menos de uma semana depois do episódio. "Eu senti um pouco de desconforto. Estou fisicamente e psicologicamente bem, mas estou tendo que conversar com um psicólogo", explica.
O PM disse que continuará sobrevoando áreas de conflito. "Essa é minha profissão. Vamos replanejar e ver outra forma de atuar nestas situações". Entre o momento em que ele soube que a aeronave foi atingida e o pouso passaram apenas 90 segundos.
O capitão Marcelo Vaz e o co-piloto Marcelo Mendes estiveram com suas famílias na missa de sétimo dia realizada dentro do Grupamento, em memória das vítimas da tragédia.
Violência
De acordo com os dados oficiais, até o momento, 33 pessoas foram mortas, 41 presas, 31 armas apreendidas - entre elas algumas de longo alcance, que poderiam ter derrubado a aeronave -, cinco granadas e cinco carros recuperados. Os seis corpos encontrados no Fumacê nesta manhã não foram contabilizados.

- O Dia - © Copyright Editora O Dia S.A. - Para reprodução deste conteúdo, contate a Agência O Dia.

Foto: Reuters 


Assista agora »
Assista agora »