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 Polícia: fuzis que iriam para o Rio podem ser das Farc
21 de outubro de 2009 22h39 atualizado às 23h16

A polícia de Mato Grosso acredita que os sete fuzis apreendidos terça-feira à noite, em Primavera do Leste, podem ter saído das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). As armas - cinco de calibre 7.62, de poder idêntico ao usado para abater o helicóptero da Polícia Militar no Engenho Novo, no sábado, e duas carabinas .30, todos de uso restrito -estariam a caminho dos morros do Rio de Janeiro.

"É a hipótese mais provável. É o armamento típico usado pelas guerrilhas", disse nesta quarta-feira o delegado Rafael Siteel Fossari. O delegado afirmou que os detalhes que chamam mais atenção são a quantidade de armas encontradas numa única vez, a numeração e o brasão, raspados para apagar identificação e símbolo da corporação a que pertenciam.

Uma pesquisa feita pela própria polícia não encontrou nesta quarta nenhum registro de furto, roubo ou sumiço em nenhuma das corporações brasileiras que poderiam usá-las. Os fuzis belgas 7.62 são utilizados regularmente pelas Forças Armadas ou por grupos revolucionários, por seu poder de fogo. "Os fuzis estavam azeitados e bem cuidados. Quem faz isso conhece armas", afirmou o delegado.

As corporações de segurança só usam esse tipo de armamento em operações especiais. "Toda a Polícia Civil de Mato Grosso tem apenas cinco fuzis", afirmou Fossari.

Há dois meses, em um assalto a banco na mesma região, foi usado armamento parecido, mas a polícia não vê relação com a apreensão. As armas foram apreendidas pela Polícia Rodoviária Federal, em uma fiscalização de rotina na altura do km 286 da BR-070, com o motorista Vanderlei de Souza, 37 anos.

Era a terceira viagem de Souza transportando armas para o Rio. Os fuzis foram apanhados em Ji-Paraná (RO). O rapaz disse que deixaria o carro num posto de combustível conhecido por Ipirangão, a 30 km de Juiz de Fora (MG), no caminho do Rio. Com ele, havia também 1,5 mil cartuchos de munição calibre 7.62 e 450 de .30.

Ao ser abordado pelos policiais, que suspeitaram de tráfico de drogas ao perceber modificações no forro da caminhonete, Souza confessou. "Não é droga. Estou carregando arma", afirmou.

Ele contou que receberia R$ 13 mil pelo transporte. A polícia encontrou com Souza vários cartões de oficinas e de borracharias do Rio, o que levanta a suspeita, segundo o delegado, de que ele fez várias outras viagens e chegaria mais perto dos morros.

Até o final da tarde, segundo a assessoria da PM, pelo menos 33 pessoas haviam sido mortas no Rio desde sábado. Dezenove seriam traficantes em confrontos com a polícia, três são policiais militares e três, inocentes.

Oito bandidos foram mortos, ainda de acordo com Santos, em guerra entre os próprios traficantes. Neste período, 22 suspeitos de envolvimentos nos conflitos teriam sido presos.

Jornal do Brasil
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