O assessor especial para Assuntos Internacionais da Presidência da República, Marco Aurélio Garcia, afirmou nesta quarta-feira que a candidatura do deputado Ciro Gomes (PSB-CE) ao governo de São Paulo é "uma boa saída". O ex-ministro da Integração Nacional do governo de Luiz Inácio Lula da Silva pretende concorrer à Presidência, mas o PT tenta convencê-lo a apoiar a possível candidatura da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, e concorrer em São Paulo.
"In pectore (no coração, no peito) é uma boa saída (Ciro ser candidato ao governo de São Paulo). Estou há sete anos afastado da vida política de São Paulo. Sou filiado ao PT de São Paulo, vou estar na eleição interna do PT de São Paulo e tenho amigos lá, mas não conheço a problemática interna paulista. Mas acho que seria um excelente candidato, que também tem condições de ser candidato a presidente da República", disse.
Afirmando ser amigo de longa data de Ciro, Garcia elogiou o deputado. "Eu tenho pelo Ciro um enorme respeito e que não vem deste governo, eu já o conhecia antes. Teve um comportamento extremamente leal, de grande valia e de grande inteligência. Eu não escondo isso. Eu tenho uma grande admiração por ele", afirmou.
Ao ser perguntado sobre uma eventual disputa entre Dilma Rousseff e a ex-ministra do Meio Ambiente e senadora Marina Silva (PV-AC), Garcia optou por associar o perfil da ex-petista e suas supostas afinidades com o governo Lula. "Não quero subestimar a perda da Marina Silva. Entendemos sua saída. Entendemos que ela saiu para fazer de certa maneira uma carreira solo", disse. "Eu acredito que enquanto pessoa, ela estará muito mais próxima aos projetos do PT do que da oposição. Acho que ela está vivendo um certo drama porque setores da oposição querem cooptá-la para a agenda da oposição, que não é a agenda da Marina. Ela pode ter algumas discrepâncias que são justificáveis em alguns temas".
PMDB
Garcia elogiou ainda o pré-acordo fechado ontem entre PT e PMDB para que este apoie a chapa possivelmente encabeçada por Dilma e indique o nome à vice. "O melhor noivo é o PMDB, eu acho porque é uma boa possibilidade", afirmou.
O assessor especial reconheceu que há divergências ideológicas e políticas entre o PT e o PMDB, mas também disse que essas diferenças não podem impedir as negociações em busca de uma coligação partidária única. "O segredo das coligações é a coligação entre os diferentes. Se as coligações fossem só entre iguais, nós estaríamos marchando para algo como no Uruguai, para uma frente ampla", afirmou.
- Agência Brasil

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