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 Estudante do Rio vira "repórter de guerra" por um dia
17 de outubro de 2009 17h54 atualizado em 18 de outubro de 2009 às 15h20

Guilherme Mergen
Direto de Porto Alegre

Quando deixou São Paulo para morar no Rio de Janeiro e estudar Moda, há dois meses, a jovem Elisa Silva Dantas, 23 anos, desconsiderou os alertas de amigos e familiares sobre a violência na capital fluminense. Para ela, o conflito entre traficantes dos morros cariocas só existia nas imagens da televisão.

Neste sábado, quando arrumava as malas para retornar à capital paulista, a estudante testemunhou a violência da janela de seu quarto, no alojamento do campus de uma faculdade localizada entre os morros do São João e dos Macacos, cenário do tiroteio que deixou pelo menos 10 pessoas mortas - dois policiais e oito criminosos, segundo a Polícia Militar.

Elisa ouviu os estouros dos disparos, viu o helicóptero alvejado por traficantes desgovernar-se no ar e o ônibus que costuma utilizar para ir ao centro ou à zona sul ser incendiado por criminosos. "Nunca presenciei nada assim de um lugar tão próximo. É normal barulho de tiros aqui, mas estava demais. Pareciam fogos de artifício. Estou chocada. Tudo aquilo que eu achei que fosse exagero existe mesmo", diz.

Incentivada por amigos de São Paulo, sua cidade natal, a estudante narrou a violência nos morros cariocas por meio de seu perfil na rede de microblogs Twitter. Pouco depois das 10h, quando o helicóptero da Polícia Militar explodiu, ela publicou a primeira nota. "Gente, tô com medo. Eu vi esse helicóptero cair. Tá rolando um tiroteio tenso aqui, uma fumaça preta".

Nas duas horas seguintes, a acadêmica de Moda narrou o conflito nos morros em outros 20 posts de até 140 caracteres. Durante esse período, o Twitter de Elisa recebeu pelo menos 20 novos seguidores. "Pessoas que eu nem conhecia começaram a me seguir. Alguns amigos começaram a ficar preocupados, mas eu acho que é reflexo do interesse das pessoas no assunto. E também pelo fato de eu estar narrando em tempo real", diz.

Ao final da cobertura, quando o barulho dos disparos e a movimentação dos helicópteros diminuíram, Elisa brincou sobre a vida de jornalista por um dia no Twitter. "Bom, até agora nada de helicópteros, apenas alguns barulhos de tiros. Espero terminar minha carreira de jonalista de guerra aqui."

Às 17h, quando conversava com o Terra por telefone, avisou: "os helicópteros voltaram, mas não tem mais tiros". Questionada se iria reiniciar a narração, respondeu: "não, chega. Espero não repetir isso tão logo".

Despedida
Este sábado é o último dia da estudante no Rio de Janeiro. Por motivos pessoais - e não a violência, já que a decisão havia sido tomada antes -, ela retorna à capital paulista neste domingo. "Infelizmente, minha despedida foi arrumar as malas com as janelas trancadas, sem poder sair de casa e ouvindo os tiros. É o legítimo 'gran finale'", afirma.

Redação Terra

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