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 Rio promete investir R$ 3 bilhões em trens até 2016
08 de outubro de 2009 03h27

Até as Olimpíadas de 2016, a malha ferroviária do Rio de Janeiro deverá receber investimentos de quase R$ 3 bilhões. A informação é do secretário estadual de Transportes, Julio Lopes, que nessa quarta-feira mandou abrir investigação para apurar a responsabilidade pela série de incidentes nas estações da SuperVia. O projeto olímpico voltado para esse sistema, que transporta 500 mil usuários por dia, inclui a compra de 60 novas composições nos próximos 7 anos e a modernização das estações.

"O governo do estado vai entrar com US$ 500 milhões (R$ 800 milhões), que serão aplicados nos 60 trens, modernos, com ar-condicionado. Esses trens serão entregues até a Olimpíada. A SuperVia investirá R$ 2 bilhões na compra de equipamentos e na remodelação das estações", explicou Lopes.

Mas ontem, revoltado com a baderna na estação de Nilópolis, passageiro ironizou, aos berros: "isso aqui é o trem da Olimpíada!". "Chega uma hora em que o usuário grita', afirmou o diretor jurídico do Sindicato dos Ferroviários, Alexandre Bruno, que hoje entrega a Agetransp, Ministérios Público Estadual e Federal e BNDES dossiê sobre os problemas na sinalização, na manutenção e na segurança do sistema ferroviário. No documento, será destacado que os trens estão circulando com com problemas nos motores de tração e freios. "Rodar, o veículo roda, mas um hora vai travar, como hoje", concluiu o diretor.

Metade dos novos trens deve chegar até o final de 2010, segundo o diretor de operações da SuperVia, João Gouveia. Atualmente, dos 159 trens em operação, 73 são da série 400, cujos modelos são os mais antigos da frota, entre eles o que enguiçou ontem. Esses foram reformados pela última vez em 1999.

Segundo o governador Sérgio Cabral, a qualidade poderá vir com a meta de modernizar todos os trens até os Jogos: "nosso compromisso é colocar 100% dos trens com um nível de Primeiro Mundo". Cabral criticou o quebra-quebra: "nada justifica o vandalismo".

Manhã de caos
Pane em um dos trens da SuperVia desencadeou manhã de caos e fúria que paralisou o ramal de Japeri, o mais movimentado da rede, ontem. Pelo menos 16 pessoas ficaram feridas no tumulto, duas estações foram depredadas e dois vagões foram incendiados numa terceira. Milhares de passageiros perderam o dia de trabalho ou chegaram com horas de atraso. As delegacias de Mesquita e Nilópolis abriram inquérito para investigar ato de vandalismo contra a empresa e lesão corporal. A Prefeitura de Nova Iguaçu vai processar a concessionária pelos prejuízos à população. A agência Estadual que fiscaliza o sistema de transportes, Agetransp, abriu processo.

A confusão começou na estação de Nilópolis, às 7h40, quando o trem das 6h14 enguiçou a 100 m da plataforma. Doze minutos depois, passageiros quebraram as janelas e forçaram as portas dos vagões, alegando que o maquinista abandonara o cabine. "O trem parou e ninguém deu satisfação. Meu vagão estava superlotado e quente. As pessoas começaram a entrar em desespero", contou o laminador Alexandre de Souza, 23 anos.

O grupo caminhou pela via férrea até a estação, onde se juntou a mais passageiros, irritados com a demora, e deu início à depredação. A multidão destruiu duas roletas e invadiu a bilheteria, onde saquearam os caixas. Um cofre, arrombado, foi atirado nos trilhos. Foram cinco horas de tumulto, que só terminou com a chegada do Batalhão de Choque. Às 11h, o coronel Robson Batalha, comandante do Policiamento da Baixada, deu ultimato aos manifestantes: se em 10 minutos não liberassem a via, o efetivo os retiraria à força.

Com o tráfego interrompido, o quebra-quebra se alastrou por outras estações do ramal de Japeri. Em Mesquita, usuários atearam fogo em uma composição. O incêndio, que atingiu parcialmente de dois vagões, foi rapidamente controlado por bombeiros. A estação ficou lotada até o meio-dia.

Em Nova Iguaçu, mais selvageria. Guichês foram estilhaçados, e tíquetes, jogados para o alto. Roletas foram arrancadas e jogadas na via. Apavoradas, bilheteiras se refugiaram em uma das lojas, também alvo dos vândalos. "Chutavam a porta, tentando arrombá-la. Nunca tínhamos enfrentado violência desse tipo", contou a bilheteira Cátia Regina Ramos, 21 anos. Duas funcionárias tentaram sair e foram agredidas. Uma cortou a mão esquerda.

Pelo menos 14 passageiros foram socorridos com ferimentos leves. O caso mais grave é Elievel Virgílio dos Santos, 62 anos, levado para o Hospital da Posse, em Nova Iguaçu, com fraturas no queixo e numa das pernas. Ele se feriu ao pular do trem. Marcos Rosa Justino, 28 anos, levou uma pedrada no rosto.

A diarista Rosângela Soares Vieira, 24 anos, vítima de pedrada quando abandonou o trem pelos trilhos, teve de enfaixar a mão direita na Emergência do Hospital de Nilópolis. "Foi uma loucura quando todo mundo resolveu pular depois de ficar por uma hora trancado no trem. Deixei de ganhar R$ 80 da diária. A SuperVia vai pagar meu prejuízo?", cobrou.

O Dia
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