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 Lula: eu não faria o que Chávez fez nos meios de comunicação
03 de setembro de 2009 11h55 atualizado às 14h44

Lula diz que não tomaria as mesmas medidas que Chávez. Foto: Ricardo Stuckert/Presidência da República/Divulgação

Lula diz que não tomaria as mesmas medidas que Chávez
Foto: Ricardo Stuckert/Presidência da República/Divulgação

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmo que não faria o que seu colega venezuelano, Hugo Chávez, fez com os meios de comunicação do país, mas também criticou a imprensa da Venezuela. "Eu não faria o que o Chávez fez nos meios de comunicação", declarou Lula em uma entrevista à AFP.

"Mas eu acho que os meios de comunicação não deveriam fazer com o Chávez o que fizeram por muito tempo (...) Os meios de comunicação foram duros com o Chávez", completou.

Lula explicou que ele mesmo surgiu no cenário político brigando com os meios de comunicação. "Eu aprendi a conviver com isso porque nasci na política brigando com as informações da imprensa (...) Mas o Chávez não vem desse mundo político, o Chávez vem das Forças Armadas, a cabeça dele não e a minha cabeça", declarou em referência ao líder venezuelano que surgiu para a política quando era tenente-coronel do Exército, depois de uma tentativa frustrada de golpe em 1992 e que chegou ao poder em 1998 nas urnas.

Lula defendeu no entanto o colega e afirmou que "há muitos anos a Venezuela não tinha um presidente que se preocupava pelo povo e pelos pobres como Chávez". Também comentou que existe muito "preconceito" com os três mandatos no poder de Chávez, todos por meio de eleições, quando outros líderes europeus fizeram o mesmo antes.

"Eu acho que a democracia da Venezuela é a democracia que a sociedade venezuelana tem compreensão de que ela seja". A estatal venezuelano de telecomunicações (Conatel) ordenou no início de agosto a retirada do ar de dois canais de TV locais e 32 emissoras de rádio, sob a alegação de que operavam as concessões ilegalmente, decisão que foi criticada dentro e fora do país.

A concessão de outras 200 emissoras também está sob risco. Além disso, o canal de televisão privado Globovisión, crítico do governo, tem dois processos administrativos abertos contra, o que pode provocar seu fechamento, assim como aconteceu com o fim das transmissões em frequência aberta do canal RCTV em 2007, quando o governo de Hugo Chávez não renovou a concessão do mesmo, que passou a transmitir por cabo.

AFP
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