Arns se mostrou indignado com a atuação petista no Senado
Foto: Estefânia Uchôa/Gabinete do Senador Flávio Arns/Divulgação
Laryssa Borges
Direto de Brasília
Um dia após anunciar que deixará o PT por entender que a legenda "jogou a ética no lixo" ao ajudar a livrar o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), de investigações na Casa, o senador Flávio Arns (PT-PR), voltou a direcionar sua artilharia contra a legenda. Os petistas deram ontem três votos - todos os que tinham - para manter o arquivamento dos questionamentos que Sarney sofria no Conselho de Ética e Decoro Parlamentar do Senado.
Apesar de estar a pouco mais de um ano do fim de seu mandato, Flávio Arns nega que sua desfiliação do PT tenha relação com as eleições de 2010 e que já esteja conversando com novos partidos políticos. No Paraná, os petistas tendem a apoiar o nome de Gleisi Hoffmann, esposa do ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, na corrida por uma vaga no Senado.
"O PT ultrapassou todos os limites que a sociedade podia aceitar. Estou saindo por causa de um acúmulo (de decisões equivocadas do PT). Se não houvesse essa interferência descabida do partido eu não estaria saindo do PT. O que eu disse (sobre a ética do PT) é verdadeiro e expressa o sentimento de muita gente no Brasil. (A política) tem que viver um novo momento. Não se pode dizer que 'sempre foi assim'. Os senadores têm que representar claramente essa disposição do povo (de se investigar José Sarney). Estamos sendo cobrados intensamente, em todos os momentos", explicou o parlamentar.
Na próxima semana, Arns irá encaminhar ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) uma consulta para garantir que, mesmo deixando a legenda, não tenha o mandato tomado pelo partido. A ideia do senador é garantir que o TSE ateste que sua mudança de agremiação é justificada por desvios dos compromissos e programas do PT.
Por decisão da Justiça Eleitoral, desde 16 de outubro de 2007, senadores podem ter seus mandatos cassados caso não apresentem justificativa para a troca de partido. O TSE prevê que a mudança de agremiações só pode ocorrer em caso de incorporação ou fusão de legendas, de criação de um novo partido político, de grave discriminação pessoal do filiado ou de "mudanças substanciais ou desvio reiterado do programa partidário".
"É fundamental que a Justiça dê uma perspectiva nova (para a troca de partidos). Não sou eu quem está sendo infiel ao PT. É o partido que está sendo infiel a seu programa. Se a Justiça decidir isso (nova perspectiva para fidelidade partidária), todos os partidos vão tomar mais cuidado. Pretendo fazer uma consulta jurídica não só para o meu mandato", ressaltou.
Nesta quarta, em entrevista ao Terra, Flávio Arns disse que, pela volúpia de se manter no poder e ter espaço para reeleger o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2006 e alçar a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, à presidência da República em 2010, o PT tem jogado sua ética no lixo e compactuado com diversas irregularidades.
"A pressão é extraordinária em cima da bancada (do PT). A minha decisão vai desidratar o PT nas bases. Muitas pessoas do PT não merecem o que está acontecendo (no Senado). Se eu tiver feito a coisa correta e perder o mandato, isso não é problema", afirmou.
- Redação Terra


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