Marina disse que não há relação entre crise do Senado e sua saída do PT
Foto: Elza Fiúza/Agência Brasil
Marina Mello
Direto de Brasília
A senadora Marina Silva disse nesta quarta-feira que a crise do Senado e o apoio do PT ao presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP), não impulsionaram sua decisão de deixar a legenda. Segundo a ex-ministra do Meio Ambiente, por mais importante que seja a questão da crise, isso não seria fator que impulsionaria sua decisão após 30 anos no partido. Além disso, ela garante ter tido sempre toda a liberdade para manifestar sua posição dentro da legenda.
"Obviamente eu não iria reduzir uma questão desta magnitude a uma questão de conjuntura política, por mais importante que seja. (...) Essa questão é importante, mas sempre tive liberdade, e na bancada o que prevaleceu foi a posição que tenho junto com o senador Suplicy, Flavio Arns, Tião Viana e o próprio Mercadante", disse ela referindo-se a parte da bancada do PT que quer que Sarney seja investigado no Conselho de Ética e que também já defenderam que o presidente deveria se afastar temporariamente do cargo.
A senadora anunciou nesta quarta-feira em Brasília sua saída do PT. A ex-ministra do Meio Ambiente não afirmou que irá ser candidata à Presidência da República em 2010 pelo PV, que a convidou para a corrida presidencial, nem que se filiará ao partido. Marina ligou mais cedo para o presidente do PT, Ricardo Berzoini, para comunicar a saída.
"Não significa com isso que estou rompendo com as pessoas do partido", disse a senadora. Marina falou também que iria comunicar apenas a saída do PT, pois não queria anunciar oficialmente nada relacionado ao PV antes de se desfiliar.
Ao ser questionada sobre o longo processo que ela estaria tomando - de primeiro sair de um partido para depois anunciar que vai para outro - Marina respondeu: "não disse que tenho conversações com o PV. Disse que o partido me fez o convite e não se tratava de fazer minha filiação antes de sair do PT, tratava-se de sair do PT para me ver livre para fazer essas conversações", disse. "Não seria ético com o PT e com meus companheiros estar no PT e entrar nestas conversações", complementou.
"Cheguei à conclusão de algo muito semelhante ao que fiz a mais ou menos 30 anos atrás, quando decidi aos 16 anos sair da minha casa (...) naquele momento tive um sonho, de cuidar da saúde e estudar (...) e fui para Rio Branco, uma decisão difícil (...) eu recorro à essa história para dar a dimensão do que significa a dimensão de me desligar do Partido dos Trabalhadores depois de 30 anos de uma trajetória de trabalho, de construção, etc", comunicou.
- Redação Terra


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