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 MPF pede afastamento de Yeda do governo do RS
05 de agosto de 2009 15h36 atualizado em 06 de agosto de 2009 às 10h09

MPF pede afastamento de Yeda Crusius do governo do RS

Fabiana Leal

Direto de Porto Alegre


O Ministério Público Federal ajuizou ação de improbidade administrativa contra a governadora do Rio Grande do Sul, Yeda Crusius (PSDB), e oito pessoas. Os procuradores pediram o afastamento temporário dos agentes públicos de seus cargos enquanto durar o processo. Foi solicitada ainda a indisponibilidade dos bens em caráter liminar.

O processo é resultante da Operação Rodin, que apura o desvio de verbas envolvendo o Detran-RS, a Universidade Federal de Santa Maria e fundações de apoio. Eles foram denunciados por enriquecimento ilícito e dano ao erário. A ação foi ajuizada na 3ª Vara federal de Santa Maria, município na região central do Estado.

Além da governadora, foram citados no processo José Otávio Germano (deputado federal do PP), João Luiz Vargas (presidente do Tribunal de Contas do Estado), Luiz Fernando Záchia (deputado estadual do PMDB), Frederico Antunes (deputado estadual do PP), Deslon Martini (ex-secretário-geral do governo), Walna Menezes (assessora de Yeda), Rubens Bordini (tesoureiro da campanha da governadora e vice-presidente do Banrisul) e Carlos Augusto Crusius. Segundo o MPF, alguns são operadores, outros beneficiários e outros intermediavam a entrega dos bens no esquema.

"Não haverá moleza para estes réus, como não há moleza para nenhum criminoso que comete ato de improbidade", afirmou o procurador da República Adriano Raudi.

O procurador Ivan Marx, também autor da ação, disse que espera que fique à sociedade o estímulo para buscar a probidade de cada cidadão. "O povo tem direito à verdade. Desvendada a verdade, que nesse caso é negativa, surge o direito à punição", afirmou Marx.

Os procuradores pediram ainda o afastamento do caráter sigiloso do processo contra Yeda. Segundo eles, as provas que incriminam os réus não podem ser divulgadas devido ao sigilo processual.

Notas
O chefe da Casa Civil, José Alberto Wenzel, afirmou nesta tarde que a governadora reagiu com serenidade e tranquilidade. Ela está no município de Canela, na serra gaúcha.

Wenzel afirmou que o desejo do governo é que seja derrubado o sigilo do processo, como pediu o MPF, para saber o que pesa para cada um dos réus.

O deputado estadual Frederico Antunes (PP) afirmou, em nota, que foi "surpreendido" com a notícia do envolvimento do seu nome, a partir da manifestação do Ministério Público Federal, nos desdobramentos da Operação Rodin.

"O fato causou-me profunda estranheza porque desde as primeiras informações acerca do processo - ainda no ano passado - jamais fui chamado para depor, nunca tive meu nome envolvido e tampouco tomei conhecimento de qualquer investigação que tivesse a inclusão de meu nome", disse.

Antunes, que estava em Brasília, afirmou que voltará quinta-feira a Porto Alegre para obter detalhes do conteúdo das acusações e tomar as respectivas medidas necessárias para os devidos esclarecimentos. "Também buscarei, com ênfase redobrada, os reais motivos que levaram ao envolvimento de meu nome."

O deputado estadual Luiz Fernando Záchia reagiu com indiganação e disse que se manifestará após tomar conhecimento das acusações. Ele afirmou que estava indignado por "desconhecer as causas que fundamentam a referida acusação, impossibilitando assim o direito ao contraditório neste momento. Lembrando que o patrimônio de um homem público é feito de sua ética e moralidade, agora profundamente manchadas, em desrespeito aos mais de 15 anos de transparente vida pública. Quero reforçar que, em momento algum, fui questionado por qualquer órgão Federal ou Estadual ao longo dos acontecimentos. Tal situação viola as práticas republicanas."

Investigações
O governo de Yeda tem sido alvo de acusações desde a Operação Rodin, da Polícia Federal, que investigou o suposto esquema envolvendo fraudes em contratos de prestação de serviços da Fundação de Apoio à Tecnologia e Ciência (Fatec) e Fundação para o Desenvolvimento e Aperfeiçoamento da Educação e da Cultura (Fundae) para o Detran, e que causou o desvio de aproximadamente R$ 44 milhões dos cofres públicos, segundo o Ministério Público.

A situação ficou mais complicada depois que a revista Veja divulgou gravações mostrando conversas entre Marcelo Cavalcante, ex-assessor da governadora, e o empresário Lair Ferst, um dos coordenadores da campanha de Yeda e réu na Operação Rodin. O áudio indicaria o uso de caixa dois na campanha de Yeda para o governo do Estado.

Redação Terra