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 Injustiça se combate com silêncio, paciência e tempo, diz Sarney
17 de julho de 2009 10h12 atualizado às 10h40

José Sarney preside sessão plenária do Senado, em Brasília. Foto: J. Freitas/Agência Senado

José Sarney preside sessão plenária do Senado, em Brasília
Foto: J. Freitas/Agência Senado

O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), fez nesta sexta-feira um balanço das atividades da Casa neste primeiro semestre. No discurso, negou ter tomado qualquer atitude que "não se amparasse na ética e na lei" e, citando o filósofo romano Lucius Aneu Sêneca, afirmou que "a injustiça somente pode ser combatida com três ações: o silêncio, a paciência e o tempo".

Sarney afirmou foi vítima de uma campanha organizada pelo jornal O Estado de S. Paulo que "obrigou" os demais jornais a repercutir as matérias publicadas. A publicação foi responsável pela denúncia relacionada aos atos secretos.

Sarney deixou claro que não renunciará ao cargo ou ao mandato por conta das denúncias de irregularidades administrativas que têm atingido, inclusive, parentes seus. "Os insultos e as ameaças não me amedrontam" afirmou o presidente do Senado. Ele acrescentou que a sua força para continuar a promover as reformas administrativas e políticas a que se propôs quando tomou posse está "no amor às instituições e à democracia".

No discurso, Sarney lamentou ter sido abandonado pelo Democratas (DEM), partido que, segundo ele, tem sido parceiro há muitos anos. Ele aproveitou para citar o trabalho feito pelo primeiro-secretário, Heráclito Fortes (DEM-PI), que considera um companheiro leal que tem feito um bom trabalho à frente da secretaria.

Sarney ressaltou que suas ações "não são apenas palavras", mas 50 anos de vida pública. "Essa é a minha força", afirmou. Ele lembrou que nas três vezes em que assumiu a presidência encontrou o Senado mergulhado em crises e conseguiu reergue-lo e, agora, segundo ele, não será diferente.

Medidas
No balanço do semestre ele fez um relato de todas as medidas adotadas, a maioria uma reação as denúncias publicadas pela mídia. Entre elas, por exemplo, destacou a extinção dos 663 atos secretos e as demissões dos diretores Agaciel Maia (Diretoria Geral) e João Carlos Zoghbi (Recursos Humanos).

Outras medidas relatadas dizem respeito à economia promovida por sua administração com a revisão de contratos e licitações, com a restrição do uso de passagens aéreas por parlamentares, a criação do Portal da Transparência do Senado e a contratação da Fundação Getulio Vargas (FGV) para promover a reforma administrativa da Casa.

O presidente do Senado também destacou o fato de a Casa encerrar o semestre com todas as matérias votadas. "Foi um semestre de intenso trabalho legislativo, que conseguimos realizar apesar das medidas provisórias e da crise política que se personificou em mim. Jamais pratiquei qualquer ato que não se amparasse na ética e na lei", disse.

"Pizzaiolos"
O senador Cristovam Buarque (PDT-DF) sugeriu a Sarney que envie ao presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, o documento com o balanço das atividades do Senado neste primeiro semestre, apresentado por ele. Cristovam disse que esse ato é importante em razão das palavras de Lula, que se referiu aos senadores da oposição como "pizzaiolos".

"Creio que alguém precisa dizer a Lula que ele não pode dizer assim sobre o Congresso. E creio que ninguém melhor do que o presidente do Congresso para fazê-lo", disse Cristovam.

Em resposta a Cristovam, Sarney disse que mandará uma cópia do relatório ao presidente da República e que, logo que estiver com ele, repassará as preocupações do senador.

Com informações da Agência Senado e Agência Brasil.

Redação Terra