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 PT pede para Sarney se afastar da presidência do Senado
01 de julho de 2009 15h22 atualizado às 18h03

Mercadante sugeriu a Sarney que se afastasse

Marina Mello

Direto de Brasília


O líder do PT no Senado, Aloizio Mercadante (SP), disse nesta quarta-feira que o partido pediu na manhã de hoje para que o presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP), se afastasse do cargo até que fossem concluídas as investigações sobre irregularidades.

De acordo com o líder, o presidente não demonstrou "disponibilidade" em se afastar, mas se colocou pronto a implementar a outra sugestão do partido de criar uma comissão para cuidar da crise e para elaborar uma profunda reforma administrativa da Casa.

"Ele não demonstrou disposição, mas disse estar aberto as outras sugestões", disse. Apesar de o PT ter seguido a mesma linha de partidos como DEM, PSDB e PSOL de pedir pelo afastamento de Sarney, o senador Mercadante ressaltou que o pedido foi feito diretamente ao presidente, sem manifestações públicas.

Na visão do PT, a crise do Senado não pode ser atribuída apenas a Sarney. "Não fizemos nenhuma apresentação pública, fizemos de forma isolada. Não achamos que ele seja o responsável pela crise, as coisas não podem ser simplificadas desta forma", afirmou.

Mercadante explicou que o PT vai solicitar uma audiência com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para debater o assunto e admitiu que a relação com o PMDB é de grande preocupação para o governo, principalmente por causa de 2010.

"Temos uma preocupação grande em relação a isso. A governabilidade sempre foi difícil no Senado", disse. "Sabemos o quanto essa aliança com o PMDB é importante e por isso temos toda a cautela para tratar o assunto."

Segundo Mercadante, mesmo recusando a sugestão do PT de se afastar, Sarney demonstrou disponibilidade em instalar a comissão de reforma administrativa e ainda de constituir na Casa a prática de se realizar reuniões de líderes para definição de pauta.

"A bancada avaliou como muito positiva a disponibilidade de Sarney em constituir um colégio de líderes. O colégio de líderes aqui não tem o mesmo papel que tem na Câmara de construção permanente da pauta", afirmou.

Nos bastidores, são fortes os rumores de que Sarney estaria disposto a se licenciar e que estaria apenas aguardando o retorno do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para comunicar a sua decisão.

Sarney é acusado de nepotismo e de envolvimento em irregularidades, incluindo o escândalo dos atos secretos do Senado, que foram utilizados para contratar servidores, autorizar a nomeação de parentes de senadores e o pagamento de horas extras.

Além disso, o neto dele, José Adriano Cordeiro Sarney, é acusado de fazer parte de um esquema irregular de crédito consignado pelo Senado e estaria sendo investigado pelo Polícia Federal.

Redação Terra