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 Falta de bens culturais dificulta ensino, diz Inep
15 de setembro de 2004 12h16 atualizado às 12h16

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Um estudo divulgado ontem, pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), instituição ligada ao Ministério da Educação, mostra os fatores que interferem no aprendizado do português no Brasil estão relacionados à pobreza e à falta de bens culturais.

Ausência do acompanhamento dos pais, necessidade de trabalhar desde cedo, impossibilidade de a criança estudar, reprovações e abandonos anteriores. Quanto mais excluído é o aluno da quarta série fundamental, mais dificuldade terá para aprender sua própria língua e, portanto, será alvo de uma dupla exclusão, segundo o estudo.

Para traçar o perfil dos alunos da quarta série fundamental e o aprendizado da língua portuguesa, os educadores do Inep utilizaram dados do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (Saeb), de 2003. O cruzamento das informações também permitiu perceber que a maior parte dos alunos em estado "muito crítico" de aprendizado vive no Nordeste e em cidades com populações menores que 200 mil habitantes. A maioria também está estudando em escolas públicas.

"Não significa que os alunos com pior desempenho estejam todos no Nordeste, mas a região é a que tem o maior número de alunos em patamares preocupantes em relação ao conjunto total de cada região", disse Carlos Henrique Araújo, diretor de avaliação da Educação Básica do Inep. A porcentagem de crianças em estágio muito crítico no Nordeste é 29,3%. A melhor situação foi encontrada na Região Sul, com 11,6%.

Redação Terra