Pivô do principal entrave para a instalação definitiva da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Petrobras no Senado, o senador Inácio Arruda (PCdoB-CE) disse nesta quarta-feira que abriu mão da titularidade na comissão que investigará a estatal para voltar a ser membro efetivo da CPI das organizações não-governamentais (CPI das ONGs). Em seu lugar assumirá o senador Marcelo Crivella (PRB-RJ).
Na última terça-feira, o líder do PT no Senado, Aloizio Mercadante (SP), disse que a CPI da Petrobras só seria instalada se a oposição devolvesse a relatoria da CPI das ONGs aos governistas. Na investigação que apurava o repasse de dinheiro público para instituições suspeitas, o senador Inácio Arruda (PCdoB-CE) era o relator, mas o político trocou o cargo de titular para integrar a CPI da petrolífera.
Arruda defendeu a decisão dos partidos da base de apoio ao governo de impedirem a instalação da CPI da Petrobras em troca da devolução da relatoria da CPI das ONGs à base aliada. "A minha expectativa é de que a oposição não vá até às últimas consequências de que se deve quebrar os acordos", disse Arruda.
Na avaliação do senador cearense, as duas comissões não deveriam ter sido misturadas. "O problema da CPI da Petrobras tem que ser solucionado pela base, que deve examinar se fará ou não acordo com a oposição", argumentou o senador. "Lá (na CPI das ONGs) tínhamos um acordo onde o presidente é da oposição, mesmo sem ter condições numéricas para isso. Portanto, a CPI das ONGs não tem nada a ver com isso", acrescentou Arruda.
De acordo com o senador, se não houver um entendimento quanto à questão o Senado viverá um clima de guerra. "Isso (o impasse) força a base do governo, se quiser que os trabalhos continuem no Congresso Nacional, a estar todo o dia, a partir das 16h, com maioria absoluta dentro do Plenário, o que normalmente não ocorre", disse Arruda, apontando uma estratégia dos governistas para enfrentar a obstrução da oposição. "Esse recurso da oposição pode levar as sessões até a madrugada sempre e teremos que manter o número. Teremos um verdadeiro clima de guerra", concluiu o senador.
- Agência Brasil


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