Hermano Freitas
Direto de São Paulo
Um estudo do Laboratório de Análise da Violência da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj) divulgado nesta terça-feira, em São Paulo, conclui que há sinais de represália na reação policial aos ataques do chamado Primeiro Comando da Capital (PCC). Segundo o coordenador do projeto, Ignacio Cano, das 564 mortes registradas no período de 12 a 21 de maio de 2006, 505 foram de civis enquanto que 59 de agentes públicos.
Ainda de acordo com o pesquisador, o maior número de civis mortos foi no período de 14 a 17 de maio, dois dias após o começo dos ataques, no dia 12. O maior número de mortes de civis foi no dia 14 de maio, data que ficou marcada pelo toque de recolher na capital paulista e fe a cidade parar. Este intervalo comprova, de acordo com a pesquisa, que as mortes não se devem a uma tentativa de defesa. "Os dados parecem condizentes com isso (uma revanche)", disse.
A pesquisa, apresentada por Cano nesta terça-feira na sede do Conselho Regional de Medicina de São Paulo (Cremesp), aponta ainda que 6% dos mortos na onda de ataques do PCC e da reação policial no Estado não tinham antecedentes criminais. A Secretaria de Segurança Pública informou que não comenta as conclusões da Uerj.
O estudo tomou como base os boletins de ocorrência e de mortes por arma de fogo ocorridas no intervalo dos ataques, que chegou a 564. O Cremesp contribuiu com os dados das necroscopias realizadas no período. Para chegar ao número total de vítimas, 493 mortos, foram excluídos os casos de suicídios e acidentes.
Segundo Cano, o número total foi cruzado com as estatísticas de homicídios nos meses de maio em anos anteriores. A conclusão é de que o número de morte por armas de fogo foi de 3 a vezes superior ao esperado para o período.
Outro dado alarmante abordado na exposição é o de que mais de 60% dos casos que envolvem execuções sumárias foram arquivados. O ouvidor da Polícia Civil de São Paulo, Antonio Funari Filho, afirma que há grande dificuldade em se apurar os casos por falta de provas.
A divulgação da pesquisa foi acompanhada de um ato público da ONG de direitos humanos Conectas, da Defensoria Pública, do Ministério Público, do Conselho Estadual de Direitos da Pessoa Humana (Condepe) e da Ouvidoria de Polícia do Estado, entre outras entidades.
Presentes ao ato, familiares de vítimas aplaudiram o momento em que a advogada da Conectas, Eloísa Machado de Almeida, defendeu a responsabilização do governo brasileiro pela violência. Entre outras conseqüências, a responsabilidade da União abre caminho para indenizações.
- Redação Terra

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