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 Estudo vê indício de revanche em mortes após ataques do PCC
12 de maio de 2009 18h55 atualizado às 21h16

Hermano Freitas

Direto de São Paulo

Um estudo do Laboratório de Análise da Violência da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj) divulgado nesta terça-feira, em São Paulo, conclui que há sinais de represália na reação policial aos ataques do chamado Primeiro Comando da Capital (PCC). Segundo o coordenador do projeto, Ignacio Cano, das 564 mortes registradas no período de 12 a 21 de maio de 2006, 505 foram de civis enquanto que 59 de agentes públicos.

Ainda de acordo com o pesquisador, o maior número de civis mortos foi no período de 14 a 17 de maio, dois dias após o começo dos ataques, no dia 12. O maior número de mortes de civis foi no dia 14 de maio, data que ficou marcada pelo toque de recolher na capital paulista e fe a cidade parar. Este intervalo comprova, de acordo com a pesquisa, que as mortes não se devem a uma tentativa de defesa. "Os dados parecem condizentes com isso (uma revanche)", disse.

A pesquisa, apresentada por Cano nesta terça-feira na sede do Conselho Regional de Medicina de São Paulo (Cremesp), aponta ainda que 6% dos mortos na onda de ataques do PCC e da reação policial no Estado não tinham antecedentes criminais. A Secretaria de Segurança Pública informou que não comenta as conclusões da Uerj.

O estudo tomou como base os boletins de ocorrência e de mortes por arma de fogo ocorridas no intervalo dos ataques, que chegou a 564. O Cremesp contribuiu com os dados das necroscopias realizadas no período. Para chegar ao número total de vítimas, 493 mortos, foram excluídos os casos de suicídios e acidentes.

Segundo Cano, o número total foi cruzado com as estatísticas de homicídios nos meses de maio em anos anteriores. A conclusão é de que o número de morte por armas de fogo foi de 3 a vezes superior ao esperado para o período.

Outro dado alarmante abordado na exposição é o de que mais de 60% dos casos que envolvem execuções sumárias foram arquivados. O ouvidor da Polícia Civil de São Paulo, Antonio Funari Filho, afirma que há grande dificuldade em se apurar os casos por falta de provas.

A divulgação da pesquisa foi acompanhada de um ato público da ONG de direitos humanos Conectas, da Defensoria Pública, do Ministério Público, do Conselho Estadual de Direitos da Pessoa Humana (Condepe) e da Ouvidoria de Polícia do Estado, entre outras entidades.

Presentes ao ato, familiares de vítimas aplaudiram o momento em que a advogada da Conectas, Eloísa Machado de Almeida, defendeu a responsabilização do governo brasileiro pela violência. Entre outras conseqüências, a responsabilidade da União abre caminho para indenizações.

Redação Terra