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PF prende 63 doleiros em todo o País

17 de agosto de 2004 09h36 atualizado às 09h36

A Polícia Federal prendeu 63 doleiros em sete Estados do país. As pessoas são acusadas de evasão de divisas, sonegação fiscal e lavagem de dinheiro. Sessenta e cinco equipes de policiais trabalharam com 123 mandados de prisão e 215 de busca e apreensão. Seriam cerca de mil profissionais federais, entre agentes e delegados, envolvidos. De acordo com a PF, esta é a maior operação já realizada pela Polícia Federal no Brasil.

Na chamada Operação Farol da Colina, a PF está atuando no Rio de Janeiro, Paraná, Pará, Amazonas, em São Paulo, Minas Gerais, Pernambuco e na Paraíba. A ação faz parte das investigações sobre o caso Banestado, que inclui mais de 100 inquéritos policiais e a identificação de organizações criminosas responsáveis pela evasão de cerca de US$ 24 bilhões em divisas. A evasão teria ocorrido por meio de contas CC5, abastecidas por valores remetidos por pessoas físicas e jurídicas de vários Estados, originalmente depositados em contas correntes tituladas por laranjas.

As pessoas investigadas pela Polícia Federal movimentaram, em contas no exterior, cerca de US$ 20 bilhões no período de 1997 a 2002, incluindo a participação de doleiros estrangeiros. Estima-se que a Receita Federal lavre milhares de autos de infração, da ordem de bilhões de reais. Esses recursos eram movimentados no banco JP Morgan, em Nova Iorque (EUA), por meio de uma conta fantasma da empresa Beacon Hill Service Corp (BHSC), que não passava pelo controle do Banco Central e da PF.

Ainda de acordo com a Polícia Federal, são todos doleiros que, de alguma forma, enviaram dinheiro ilegal para o exterior por intermédio do Banestado para a conta de Bacon Hill. O nome da operação é uma alusão ao nome da empresa, cuja tradução é farol da colina.

Segundo a CPI do Banestado, o banco é apontado como um dos maiores lavadores de dinheiro do esquema. Sobre o banco pesa a acusação de ter enviado para o exterior, em quatro anos, US$ 30 bilhões ilegais.

No Rio foram cumpridos 56 mandados de busca e efetuadas nove prisões. A identificação dos presos não foi liberada porque os processos correm em segredo de justiça, segundo a Polícia Federal.

Os agentes deixaram a sede da superintendência da PF, na Praça da Mauá, no fim da madrugada de hoje, de posse da mandados de prisão e de ordens de busca e apreensão. Uma das equipes, com cerca de dez agentes, está agora no 19º andar da Torre do Rio Sul, em Botafogo, onde funciona uma empresa do ramo de informática.

Em São Paulo, a PF já prendeu mais de 30 pessoas, entre eles o doleiro Antonio Oliveira Claramon, apelidado de Toninho Barcelona. Claramon é apontado pela Polícia como o maior doleiro do País. Segundo a CPI do Banestado, que investiga crimes de evasão de divisas, Toninho movimentou US$ 500 milhões entre 1996 e 2002.

Atuam na operação em São Paulo 360 homens e 40 auditores fiscais, que realizam 92 mandados de busca e apreensão. Os mandados de prisão foram expedidos pelo juiz Sérgio Mouro, da 2ª Vara Criminal de Curitiba, especializada em crimes financeiros.

No Rio de Janeiro foram cumpridos 56 mandados de busca e efetuadas nove prisões. A identificação dos presos não foi liberada porque os processos correm em segredo de justiça, segundo a Polícia Federal. No Rio, a Operação Farol da Colina começou pela manhã, com várias equipes que saíram em diligência.

Em Pernambuco, foram expedidos cinco mandados contra empresários. O empresário pernambucano Edmundo Gurgel Júnior, 41 anos, foi preso em sua residência hoje e já tinha sua prisão decretada no Estado. Ele é apontado pelas investigações como sendo um dos maiores responsáveis pela lavagem de dinheiro no Brasil.

Gurgel é sócio de Artur Maia na empresa Nortecâmbio, que atua em Foz do Iguassu, no Paraná, e no Recife, como agência de turismo. Há suspeitas de que os doleiros enviavam dinheiro ilegal para a agência do Banestado, em Nova York, e depois o transferiam para bancos americanos.

A PF também prendeu em Pernambuco Artur Tillman Maia Neto, 31 anos, e Carlos Alberto Guimarães Padilha, 73, sócio da agência de câmbio Nortecâmbio.

O gerente da agência de câmbio NorteCâmbio, Manoel Eleutério Cal Muinoz, 48 anos, conhecido como Manolo, de nacionalidade espanhola, também foi preso por porte ilegal de arma. Na loja, foram apreendidos oito computadores, vários equipamentos de mídia, documentos contábeis, notas fiscais, cerca de R$ 75 mil em espécie, 34 cheques de valores diversos e um revólver calibre 32, com cinco cartuchos de munição. O material apreendido será periciado pelos peritos criminais do setor técnico e científico da Polícia Federal.

No Amazonas, dez equipes da PF prenderam os doleiros Carlos Alberto e Mário Cortez, donos da principal Casa de Câmbio da cidade, a Cortez Câmbio & Turismo. Cortez resistiu muito à prisão. Ao ser abordado por jornalistas, tentou investir contra os fotógrafos e falou uma série de palavrões contra os repórteres, precisando ser contido pelos agentes.

Gilberto Benzecry também foi preso. Um quarto doleiro, Samuel Benzecry, não foi preso porque fugiu antes da decretação do mandado de prisão. Ele estaria foragido em Israel, onde tem nacionalidade. Segundo informações da Polícia Federal, dez casas de câmbio amazonenses estão sob a mira da operação. Ainda existem mais quatro mandados de prisão para serem cumpridos no Estado.

No Pará, oito mandados de prisão foram executados, assim como 12 de busca e apreensão. Entre os empresários detidos hoje em Belém, estão os donos de casas de câmbio Fernando Yamada, que também é um dos proprietários de uma das maiores redes de supermercado e lojas de departamento, Gustavo Haber, Michel Haber, Meg Haber, Elza Haber e José de Lima, todos envolvidos com casas de câmbio.

Os federais apreenderam também computadores e documentos da casa de câmbio Cruzeiro, de propriedade de Jorge de Lima. As prisões são temporárias e os mandados foram expedidos pela Justiça do Paraná, dentro do processo que investiga o Banestado. Consta, nos autos, que uma agência do banco em Foz do Iguaçu teria enviado grandes remessas de dólares para o exterior, que seria dos empresários paraenses presos.

No Paraná, a operação não prendeu nenhum suspeito de remessa ilegal de dinheiro para o exterior. O superintende da PF no Paraná, Jader Makul Hanna Saad, explicou, em entrevista à Agência Brasil, que a coordenação da operação está em Brasília, mas que o trabalho é resultado da força tarefa instalada na superintendência regional do Paraná em 1997, para apurar crimes contra o sistema financeiro nacional e contra a ordem tributária.

Já na Paraíba, a PF prendeu na manhã de hoje os empresários Victor Hugo Peres Rocha e Adalberto Júnior Prestes Rocha. Eles são acusados de de evasão de divisas no Caso Banestado. O mandado de prisão e apreensão de documentos foi executado na casa dos acusados e em quatro estabelecimentos comerciais pertencentes a eles no Estado.

Pesa contra os empresários também acusações de gestão fraudulenta de instituição financeira, sonegação fiscal, formação de quadrilha e prática de crime de lavagem de dinheiro. As prisões foram coordenadas pela Delegacia de Repressão ao Crime Organizado da Polícia Federal.

Em Minas Gerais, a PF apreendeu US$ 1 milhão em notas nas agências de viagens de Governador Valadares. Onze pessoas foram presas, entre elas um policial federal acusado de falsificar passaportes.

Redação Terra