O Ministério Público Federal no Espírito Santo (MPF-ES) ajuizou na terça-feira ações de improbidade administrativa contra os ex-prefeitos de Itarana, Itaguaçu e Santa Teresa por envolvimento no esquema de licitações irregulares para a compra de ambulâncias, supostamente cometidas em 2002, que ficou conhecido como máfia das sanguessugas.
São alvo das ações os ex-prefeitos Geraldo Galazi, de Itarana; José Hanstenreiter, de Itaguaçu; e Orly Miguel dos Santos, de Santa Teresa. Também respondem às ações com os três ex-prefeitos os empresários Darci José Vedoin e Luiz Antônio Trevisan Vedoin, sócios das empresas vencedoras das licitações fraudulentas.
Segundo o MPF, foi constatado que houve superfaturamento na compra dos equipamentos nos três casos. As prefeituras, por meio de convênios firmados com a União, realizaram dois processos licitatórios em separado, um para a aquisição dos ônibus a serem utilizados como consultórios médicos e odontológicos móveis e outro para a compra dos equipamentos. De acordo com o MPF, as prefeituras realizaram licitações da modalidade convite, o que possibilitou a escolhe das empresas que iriam participar nos processos licitatórios e o conseqüente direcionamento para as empresas dos Vedoin.
O superfaturamento obtido por meio do esquema possibilitou, segundo o MPF, o enriquecimento ilícito tanto dos donos das empresas que forneceram os veículos quanto dos donos das empresas que equiparam as ambulâncias ¿ no caso, integrantes da família Vedoin, que integravam o capital societário de várias dessas empresas.
Superfaturamento
Em Itarana, o MPF apurou um sobrepreço de 270% na compra dos equipamentos. Materiais para a montagem dos consultórios médico e odontológico da unidade de saúde foram adquiridos em 2002 por R$ 43.990,00, quando, em preços cotados pelo próprio MPF em 2008, poderiam ter sido comprados por bem menos: R$ 16.254,00. Além disso, o ônibus custou 58,5 mil reais, sendo que, na mesma época, a prefeitura de Santa Teresa adquiriu um veículo similar por R$ 44.990,00.
Já em Itaguaçu, o sobrepreço na compra de equipamentos foi de 224%. A montagem dos consultórios médico e odontológico saiu por R$ 36.550, ou seja, por mais de 20 mil reais a mais. O ônibus custou R$ 59.450, 32% mais caro que o ônibus comprado pelo município teresense, segundo o MPF.
Por fim, em Santa Teresa o superfaturamento na aquisição de equipamentos para os consultórios médico e odontológico foi de 260%, já que o valor pago foi de R$ 43.050,00 embora a pesquisa de preços feita pelo MPF no ano passado tenha apontado que o mesmo material poderia ter sido adquirido por preço bem inferior.
- Redação Terra


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