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 MP quer impedir cultos em templos da Renascer sem alvará
02 de fevereiro de 2009 16h00

O Ministério Público de São Paulo ajuizou, na última sexta-feira, uma ação civil pública com pedido de liminar contra a Igreja Apostólica Renascer em Cristo para impedir que a igreja continue realizando cultos ou qualquer outro evento com público nos seus 108 templos localizados na capital ou em qualquer outro local sem alvará ou licença de funcionamento da prefeitura, sob pena de pagamento de multa de R$ 2 milhões por evento realizado irregularmente.

Na ação, a promotora de Justiça de Habitação e Urbanismo Mabel Tucunduva Schiavo Prieto de Souza pede também que a Justiça obrigue a igreja a obter a licença de funcionamento de todos os seus templos na capital.

Não foram solicitadas providências em relação à prefeitura porque as investigações ainda prosseguem. A ação foi distribuída para a 2ª Vara da Fazenda Pública da Capital, que negou a liminar requerida pelo MP.

Como o juiz determinou que o MP esclareça quais templos não apresentam as condições legais para funcionamento, a promotora Mabel Tucunduva enfatizou que a prefeitura havia comunicado ao órgão que todos os templos da Renascer na capital estão em situação irregular por não possuírem licença ou alvará de funcionamento.

O esclarecimento foi feito nesta segunda-feira, quando a promotora pediu ao juiz a reconsideração do despacho e a concessão da liminar. A promotora também argumentou que "diante de nove mortes e centenas de pessoas feridas, o ônus de demonstrar a regularidade de seus templos ou dos locais aonde são realizados eventos com público é da Igreja Renascer e não do Ministério Público".

A ação é resultado de inquérito reaberto pela Promotoria de Justiça de Habitação e Urbanismo após o desabamento do telhado da sede principal da igreja, no bairro Cambuci, no dia 18 de janeiro.

O acidente deixou nove pessoas mortas e mais de 100 feridas. No inquérito, o Ministério Público apurou que os templos da Renascer estão em situação irregular por não possuírem licença ou alvará de funcionamento.

Além disso, depois do acidente, segundo o MP, a igreja realizou cultos, com a presença de milhares de fiéis, em locais irregulares. "O Ministério Público, através da presente ação, busca a suspensão do uso das edificações irregulares utilizadas pela Igreja Renascer, diante do risco à incolumidade física de seus freqüentadores, por ser incerta a segurança das edificações", escreve a promotora na ação civil.

A promotora também argumenta que o templo principal da igreja funcionou pelo menos 13 anos sem licença, somados todos os períodos em que não houve renovação do alvará.

As investigações da Promotoria de Habitação e Urbanismo comprovaram, ainda, que a Renascer não realizou uma série de obras necessárias para garantir a segurança do público.

Um laudo de técnicos do Ministério Público atesta, por exemplo, a existência de cadeiras soltas, embora a Renascer tenha se comprometido, em audiência realizada no MP em 1999, a adotar todas as providências para que 100% das cadeiras estivem fixadas no chão até o final de agosto daquele ano.

Redação Terra