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Cirurgias para evitar filho crescem no SUS

10 de julho de 2004 02h51

As cirurgias de laqueadura e vasectomia, que impedem mulheres e homens de gerar filhos, estão vencendo resistências culturais - até mesmo entre médicos - e deixando de ser apenas moeda de troca eleitoral no Brasil.

Só na rede ligada ao Sistema Único de Saúde (SUS), o número de cirurgias aumentou 20 vezes nos últimos quatro anos, de acordo com dados do Ministério da Saúde. Segundo os médicos, os dois procedimentos de contracepção são, na maioria das vezes, irreversíveis.

A explicação para esse crescimento, de acordo com especialistas e o ministério, está na regulamentação feita em 1997, quando o método se tornou mais acessível.

"A laqueadura sempre foi muito utilizada pelas mulheres, mas era feita em condições diversas, sem controle. Era muito comum a troca da cirurgia por um voto em regiões carentes. Ou acontecia logo após a cesariana, o que contribuiu para o grande aumento da prática nos anos 80", afirma a coordenadora técnica de Saúde da Mulher do Ministério da Saúde, Maria José de Oliveira Araújo.

Para Maria José, os números indicam que havia, e há, uma demanda grande pelo serviço, que estava reprimida. Desse modo, a coordenadora acha que a tendência é de que, nos próximos anos, aumente ainda mais a procura.

Pela regulamentação, mulheres e homens com mais de 25 anos ou que tenham pelo menos dois filhos podem fazer a cirurgia. Antes, devem passar por um grupo de médicos e psicólogos. O processo demora cerca de seis meses.

No país, 2.533 mulheres foram operadas por meio do SUS em 1999. Quatro anos depois, o número cresceu 12 vezes e saltou para 31.216. Entre os homens, a quantidade é menor, mas o índice de crescimento, ainda mais alto. Em 1999, 324 se submeteram à cirurgia. Em 2003, o número foi de 9.977, 29 vezes maior.

Os critérios, no entanto, enfrentam resistência de parte dos médicos, que consideram a mulher de 25 anos jovem para a cirurgia. Pesquisa da demógrafa Elza Berquó, da Universidade de Campinas (SP) e do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), feita em 2000, mostrou que só 50% dos candidatos tiveram atendimento.

"Infelizmente, havia uma resistência dos médicos. Eles deixavam os valores pessoais interferirem na lei, que garante os direitos reprodutivos da população."

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