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Rebelião no Rio pode ter até 50 presos mortos

31 de maio de 2004 20h16 atualizado às 20h16

Rebelião acabou depois de três dias. Foto: Jornal do Brasil

Rebelião acabou depois de três dias
Foto: Jornal do Brasil

Depois de cerca de 62 horas de impasse, terminou, na noite de ontem a rebelião na Casa de Custódia de Benfica, na zona norte do Rio. Tão logo os presos se renderam e a energia elétrica foi religada, policiais militares entraram no prédio para vistoriar as celas e encontraram vários corpos de detentos mortos. O governo do Rio de Janeiro confirmou na manhã de terça-feira 30 mortes, mas 40 corpos já foram removidos do interior do prédio. O número de vítimas pode chegar a 50. As mortes ocorreram por brigas de facções rivais.

O secretário de Administração Penitenciária, Astério Pereira dos Santos, confirmou, no final da noite, as mortes dos presos, mas não soube afirmar quantos são. Muitos corpos estão mutilados e uma área da casa de custódia permanecia sem energia, o que dificulta a contagem dos mortos.

Segundo a JB Online, pelo menos 40 corpos já foram retirados da Casa de Custódia de Benfica e levados para o Instituto Médico Legal. Quatro IMLs receberam corpos de presos: 18 foram para o Centro, dez para a Posse (Nova Iguaçu), oito para Tribobó e quatro para Duque de Caxias. O traficante Maílson Souza da Costa, irmão de Miltinho do Dendê, teria sido decapitado durante a rebelião.

O defensor público Leonardo Rosa Melo da Cunha afirmou ter recebido de um preso, ferido a tiros no sábado, a informação de que há 38 mortos, muitos deles decapitados ou queimados. O deputado estadual Geraldo Moreira (PSB), presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa do Rio, disse que contou, "pessoalmente", 28 corpos. "Mas há mais seguramente. Existe ainda uma galeria atingida por um curto-circuito na fiação elétrica e que está totalmente às escuras, impedindo a vistoria", informou.

Cunha deveria ter acompanhado a revista dos presos pela polícia após a rebelião, mas foi proibido de ter acesso à prisão pelo comandante-geral da PM, coronel Renato Hottz. Ficou revoltado. "Isto não só fere a lei como também o acordo feito com os detentos para garantia da integridade física", protestou.

O secretário de Segurança Pública do Rio, Anthony Garotinho, dará uma entrevista coletiva hoje para falar sobre a rebelião, a segunda maior já registrada no Estado. Familiares de presos que ainda estão acampados em frente à casa de custódia esperam a liberação da lista oficial de mortos.

As salas e a administração foram danificadas e cadeiras e mesas quebradas. Além disso, de acordo com agentes penitenciários, foi encontrado um túnel de um metro cúbico no pátio da Casa de Custódia. A unidade continua sem água. As escolas que ficam próximas à unidade permanecem fechadas.

Negociação foi acelerada com chegada de pastor
O dia foi tenso e a negociação, arrastada. Segundo a Secretaria de Administração Penitenciária, não havia lideranças entre os presos, o que dificultou as conversas. A partir das 16h, quando chegou o pastor evangélico Marcos Pereira dos Santos - cuja presença foi uma das exigências dos detentos - a negociação se acelerou. Por volta das 18h, os primeiros dois reféns foram libertados. Cerca de uma hora depois, mais cinco reféns foram entregues aos negociadores. Às 20h, todos os 21 reféns tinham sido liberados.

Antes da chegada do pastor, contudo, o clima esteve tenso. Armados, os presos mantiveram quatro reféns amarrados a cilindros de gás. Durante as negociações, os rebelados exibiam cartazes do interior da unidade. Os recados eram em tom de ameaça: "Toda ala que estiver desta forma poderá haver problemas" e "A próxima vai ser em Bangu. Tira os alemão da cadeia. Água e óleo não se mistura".

Nos cartazes, os detentos criticavam a decisão da Secretaria de Administração Penitenciária de unir presos de quatro facções criminosas rivais. Do lado de fora, com as informações desencontradas, familiares dos detentos bloquearam a Rua Couto de Magalhães e, ajoelhados, rezaram na rua. A PM tentou conter a manifestação e acabou provocando um tumulto.

A rebelião começou por volta das 6h de sábado, depois de uma tentativa de fuga em massa. Quatorze detentos conseguiram escapar depois de trocar tiros com a polícia. Entre as exigências feitas pelos rebelados está a garantia de integridade física, mais respeito durante as revistas feitas aos parentes e amigos e a transferência de cerca de 170 presos do Terceiro Comando que também se encontram na Casa de Custódia.

Redação Terra
  1. Detendos da casa de custódia de Benfica, na zona Norte do Rio de Janeiro mantêm 24 agentes penitenciários e policiais como reféns  Foto: Jornal do Brasil

    Detendos da casa de custódia de Benfica, na zona Norte do Rio de Janeiro mantêm 24 agentes penitenciários e policiais como reféns

    Jornal do Brasil
    Foto: Jornal do Brasil

  2. O motim começou por volta das 6h30 de sábado  Foto: Jornal do Brasil

    O motim começou por volta das 6h30 de sábado

    Jornal do Brasil
    Foto: Jornal do Brasil

  3. O  subsecretário estadual de Direitos Humanos, Paulo Bahia, o presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa do Rio (Alerj), deputado Geraldo Moreira, e negociadores da Secretaria de Segurança conversam com presos para tentar acabar com a rebelião, que já dura mais de 24 horas  Foto: Jornal do Brasil

    O subsecretário estadual de Direitos Humanos, Paulo Bahia, o presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa do Rio (Alerj), deputado Geraldo Moreira, e negociadores da Secretaria de Segurança conversam com presos para tentar acabar com a rebelião, que já dura mais de 24 horas

    Jornal do Brasil
    Foto: Jornal do Brasil

  4. Presos da Casa de Custódia de Benfica promovem rebelião que dura cinco dias e termina com 30 mortos  Foto: Jornal do Brasil

    Presos da Casa de Custódia de Benfica promovem rebelião que dura cinco dias e termina com 30 mortos

    Jornal do Brasil
    Foto: Jornal do Brasil

  5. Cerca de 50 mulheres, parentes dos presos, passaram a noite em frente à casa de custódia  Foto: Jornal do Brasil

    Cerca de 50 mulheres, parentes dos presos, passaram a noite em frente à casa de custódia

    Jornal do Brasil
    Foto: Jornal do Brasil

  6. A Casa de Custódia, inaugurada recentemente, tem atualmente 900 presos e capacidade para abrigar 1.310 internos  Foto: Jornal do Brasil

    A Casa de Custódia, inaugurada recentemente, tem atualmente 900 presos e capacidade para abrigar 1.310 internos

    Jornal do Brasil
    Foto: Jornal do Brasil

  7. Dezenas de pessoas e parentes aguardam informações  Foto: Jornal do Brasil

    Dezenas de pessoas e parentes aguardam informações

    Jornal do Brasil
    Foto: Jornal do Brasil

  8. O motim começou por volta das 6h30 de ontem, depois de uma frustrada tentativa de fuga em massa que deixou cinco presos e oito policiais feridos. Dezessete presos conseguiram fugir, mas três foram recapturados  Foto: Jornal do Brasil

    O motim começou por volta das 6h30 de ontem, depois de uma frustrada tentativa de fuga em massa que deixou cinco presos e oito policiais feridos. Dezessete presos conseguiram fugir, mas três foram recapturados

    Jornal do Brasil
    Foto: Jornal do Brasil

  9. Os amotinados atearam fogo em colchões e lençóis e destruíram parte das instalações do prédio  Foto: Jornal do Brasil

    Os amotinados atearam fogo em colchões e lençóis e destruíram parte das instalações do prédio

    Jornal do Brasil
    Foto: Jornal do Brasil

  10. Do lado de fora, parentes acompanham a rebelião  Foto: Jornal do Brasil

    Do lado de fora, parentes acompanham a rebelião

    Jornal do Brasil
    Foto: Jornal do Brasil

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