A maternidade na adolescência é a principal causa de evasão escolar entre as meninas. Sem ter com quem deixar os filhos, a maioria das garotas - cerca de 76% - abandona os estudos. Para tentar mudar esta realidade que atinge principalmente estudantes de escolas públicas, a Secretaria Estadual de Educação inicia hoje uma série de jornadas em escolas da rede para descobrir o que os jovens querem saber sobre sexualidade. A campanha terá ainda um festival de funk.
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No total serão promovidos 10 encontros com alunos e professores. O primeiro deles acontece numa escola estadual de Bangu, na zona oeste do Rio. "Os jovens têm o direito de decidir sobre sua vida sexual, mas ele precisa estar consciente dos riscos e conseqüências de seus atos", diz a secretária Tereza Porto. Ela acredita que as ações de prevenção serão importantes para alertar sobre o uso do preservativo e a transmissão de doenças sexualmente transmissíveis (DSTs) e pelo vírus da Aids, o HIV. A partir do que for percebido nas jornadas, a Secretaria de Educação vai orientar professores sobre os temas que deverão ser abordados em palestras e seminários.
Pesquisa da Sociedade Civil Bem-Estar Familiar no Brasil, a Bemfam, realizada em 2003 com jovens de escolas públicas no Brasil, revelou que 40% das jovens entre 15 a 19 anos passaram pela primeira relação sexual sem nenhum método contraceptivo. Cerca de 30% dos adolescentes afirmaram desconhecer métodos anticoncepcionais. "O jovem tem muita informação, só que superficial e cercada de mitos, tabus e preconceitos. Já os professores não sabem como lidar com os temas em sala de aula. Eles têm muitas dúvidas", avalia Elisabeth Ferraz, coodenadora do Projeto-Escola da Bemfam.
Atualmente, o programa atende professores e estudantes do Colégio Estadual Adelina Castro, em Caxias. Eles recebem material educativo e são orientados a fazer exames preventivos em unidades de saúde. "É importante apostar no professor e nos estudantes como multiplicadores através de jogos e brincadeiras em sala", ensina Elisabeth. Segundo ela, é preciso saber conduzir as ações. "O jovem se constrange ao falar de sexualidade. Precisa de privacidade para que se sinta protegido", diz a coordenadora do Proescola, que já distribuiu 90 mil preservativos desde 2001.
A estudante Luciana Fernandes Avelar, 22 anos, parou de estudar no nascimento da primeira filha, Maria Clara. "Voltei dois anos depois, mas engravidei de novo e parei. Quero terminar o Ensino Médio", conta. Luciana acha que as palestras nas escolas não foram suficientes. "Eram sempre rápidas e nunca deixavam a gente perguntar. Não adiantou", diz.




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