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 UFMS: estudantes ampliam ocupação de reitoria
23 de agosto de 2008 03h53

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Os cerca de 150 acadêmicos que há 16 dias ocupam a reitoria da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), em Campo Grande, ampliaram o protesto na noite desta sexta-feira. Os alunos, que antes ocupavam os canteiros e o hall de entrada, agora estão em todos os acessos ao prédio como forma de pressionar o reitor a adiar a eleição marcada já para segunda-feira, dia 25, além da paridade no voto.

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Pouco antes do fim do expediente de ontem, por volta das 17h, os acadêmicos foram até as salas dos funcionários, que mesmo com a ocupação continuavam trabalhando na reitoria, e pediram que deixassem o prédio. Segundo o estudante de Jornalismo, Alan de Farias Brito, do comitê de ocupação, todos saíram pacificamente e sem confronto, com exceção de uma funcionária que, ao tentar segurar a porta e barrar a entrada dos acadêmicos, se desequilibrou e caiu.

Assustada e psicologicamente abalada, ela se recusou a sair da reitoria até a chegada da Polícia Federal (PF), que aconteceu por volta das 19h. A servidora foi levada pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) para uma clínica da cidade.

Negociação
A PF, juntamente com a direção da UFMS, tentou um acordo para que os acadêmicos desocupassem o prédio. A condição imposta pelos alunos era do cancelamento das eleições marcadas para segunda-feira e que fosse convocada uma reunião extraordinária do Conselho Universitário (Coun).

O reitor Manoel Catarino Paes Peró, não compareceu na ocupação. Quem intermediou a negociação foi o chefe de gabinete da reitoria, professor Robert Souza. Até quase 23h houve tentativas de acordo entre as partes, mas nada foi fechado e os acadêmicos decidiram continuar no prédio.

Do lado de fora, alguns pró-reitores argumentavam com a PF sobre a possibilidade de documentos importantes dentro da reitoria, como referentes ao processo eleitoral, serem destruídos ou alterados pelos ocupantes, mesmo com as salas trancadas. "Do mesmo jeito que arrombaram a porta e entraram, podem arrombar as portas das salas e mexer nos documentos", disse um deles.

Como medida de segurança, o estudante de história, Sérgio Anastácio de Souza, integrante da comissão de negociação, garantiu que o acesso à área onde ficam as salas com os documentos foi bloqueado.

Ocupação
O protesto começou no dia 7, durante reunião do Coun. Na ocasião, foi decidida a manutenção da eleição proporcional, onde os votos de alunos e servidores representam 15% cada, enquanto os professores têm 70% de participação. Os alunos exigem o voto paritário, que garante igualdade no peso entre os três setores nas eleições para reitor.

Uma lista com três nomes deve ser enviada a Brasília até o dia 10 de setembro, para que um seja escolhido pelo presidente da República. O novo reitor não precisa necessariamente ter sido o mais votado.

Outro ponto de conflito é a data da eleição, marcada para o próximo dia 25, véspera do feriado de aniversário de Campo Grande. Os alunos temem que o comparecimento às urnas, que não é obrigatório, seja comprometido.

Especial para Terra