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 Rio: Maia lança proposta para municipalizar Uerj
19 de agosto de 2008 02h12

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No último semestre de seus oito anos à frente da Prefeitura do Rio, Cesar Maia lançou ontem a proposta de municipalizar a gestão da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). Ele se propõe a assumir a instituição ainda este ano e deixar mais um semestre financiado para seu sucessor. Mas, embora garanta que a transferência é financeiramente viável, o que o Estado gasta hoje com a Uerj corresponde a mais da metade dos recursos investidos pela prefeitura em sua rede de ensino.

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A verba própria aplicada pelo município em educação hoje é de R$ 957 milhões, o que representa 16,9% da arrecadação tributária da prefeitura: bem menos do que os 25% determinados por lei e inferior ao orçamento aprovado pelo conselho universitário da Uerj (R$ 1,148 bilhão). A polêmica interessa ao reitor, Ricardo Vieiralves, que sexta-feira recebeu com surpresa a proposta de municipalização da candidata do DEM à prefeitura, Solange Amaral.

"A universidade é o centro da possibilidade de restauração econômica da cidade. Mas implica mudança na Constituição estadual. Não é simples. Ano eleitoral tem dessas coisas. Eu gosto da polêmica, porque faz pensar", diz o reitor.

Solange Amaral teria afirmado a Vieralves que não via problema, caso fosse eleita prefeita, em dar à Uerj o R$ 1,3 bilhão que o estado deveria destinar à entidade (o correspondente a 6% da receita tributária líquida do estado). Hoje o estado repassa R$ 530 milhões à Uerj, que, somados convênios e parcerias, sobrevive com orçamento de R$ 650 milhões.

"Se imaginarmos que a universidade agrega valor naquilo que é mais importante para o Rio, que é conhecimento, a médio prazo este valor econômico cobrirá o gasto adicional", garantiu o prefeito Cesar Maia.

A sugestão foi vista pela oposição como mais um factóide de Cesar. "O nosso prefeito não consegue atender nem a nossa Educação Fundamental e Infantil, quanto mais o Ensino Superior", disse a vereadora Andréa Gouvêa Vieira (PSDB), definindo a proposta como "eleitoreira":

"A rede municipal está arrebentada e precisando de investimentos enormes. Não temos professores suficientes e há uma multidão de crianças excluídas da Educação Infantil. Como ele acha que vai ter recursos?"

O vereador do PSOL Eliomar Coelho afirmou que a proposta é desrespeitosa com os cariocas: "Em campanha, há espaço para demagogia, mas, como cidadãos, não merecemos esse exagero. Visitei mais de 10 escolas municipais no ano passado e vi professores que têm que levar giz e apagador da casa para a sala de aula."

Problemas
Nos últimos anos, a Uerj sofre com a precária estrutura do seu campus no Maracanã. Faltam verbas para obras de recuperação do prédio, sobram problemas nos 12 andares da universidade. Contas no vermelho, prédios sucateados e falta de equipamentos e de profissionais são alguns dos problemas mais visíveis do campus, que abriga a maior parte dos cursos.

Alunos e funcionários se sentem inseguros no local. Em setembro do ano passado, um incêndio destruiu quatro andares do Pavilhão João Lyra Filho. Em 2006, um bloco de concreto desabou em um dos corredores muito movimentados da universidade. Por sorte, assim como o incêndio foi num final de semana, o desabamento ocorreu durante as férias da universidade.

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