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Com 1 ano e 8 meses, morre menina sem cérebro

02 de agosto de 2008 12h52 atualizado às 22h33

A menina Marcela de Jesus Ferreira, que nasceu sem o cérebro, morreu por volta das 22h desta sexta-feira, após sofrer uma parada cardiorespiratória resultante de uma pneumonia. O bebê anencéfalo (sem cérebro) nasceu no dia 20 de novembro de 2006, em Patrocínio Paulista, interior de São Paulo, e superou as expectativas dos médicos porque deveria viver algumas horas e sobreviveu por um ano e oito meses.

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A mãe de Marcela, a dona-de-casa Cacilda Galante Ferreira, 37 anos, contou que a filha acordou bem, mas, ainda pela manhã, passou mal e foi levada ao hospital.

Marcela chegou a tomar leite e vomitou. Exames detectaram pneumonia em um dos pulmões e ela foi transferida à cidade vizinha de Franca. "Ela viveu o tempo dela e o tempo de Deus. Estou em paz porque sei que o meu dever foi cumprido", disse Cacilda.

Aos quatro meses da gravidez, Cacilda foi avisada pela médica de que o bebê nasceria sem cérebro. Ao invés de rejeitar a criança, ela decidiu prosseguir com a gestação.

A expectativa gerada pela medicina era de que ela viveria poucas horas, mas, ao contrário do que se esperava, o bebê não morreu. Cacilda tem outras duas filhas e, para cuidar exclusivamente da caçula, se mudou do sítio da família.

Por cinco meses, Marcela e a mãe viveram no hospital, até a saúde do bebê estabilizar e a família alugar uma casa na cidade.

A pediatra neunatologista Márcia Beani, que acompanhou o caso de Marcela, diz que a medicina não conseguiu explicar como a menina se manteve viva por quase dois anos.

"Mesmo sem ter o cérebro, a Marcela tinha um tronco cerebral (é a porção do sistema nervoso central que fica entre a medula espinhal e o espaço do cérebro) que coordenava os movimentos vitais e a respiração."

A criança respirava sozinha. Por precaução, a médica lembra que optou por deixar um concentrador de oxigênio ao lado de Marcela para ajudá-la a respirar.

"Apesar disso, ela ficava muito pouco tempo com o concentrador e quando saia de casa respirava por conta própria", diz.

Marcela não enxergava, não falava e usava um aparelho para ouvir. Era por meio da voz que ela reconhecia a mãe.

A alimentação era regulada, batida em liquidificador e passada através de uma soda. A médica conta que Marcela não andava, mas nem por isso ficava em casa.

Há dois meses, segundo a mãe, Marcela saiu do quarto e chegou a conhecer o sítio da família na zona rural.

"Foi um momento muito especial mesmo, porque ela conheceu a casa dela e nós tiramos muitas fotos. Esse é um momento que vou guardar pra sempre na minha vida", contou a mãe.

"Ela saia de casa sim e viveu uma vida que ninguém soube explicar", conta a médica. Ela destaca que não foi a ausência do cérebro que matou a criança. "A morte diagnosticada foi pela pneumonia e não foi pela falência dos órgãos."

A criança é velada no salão Santo Agostinho, em Patrocínio Paulista. O enterro acontecerá às 17 horas, no Cemitério Municipal.

Redação Terra