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PF: hackers presos pagavam IPVA com dinheiro de correntistas

13 de maio de 2008 12h40 atualizado às 14h17

Carros apreendidos no Rio Grande do Sul ficaram detidos na PF em Porto Alegre . Foto: Fabiana Leal/Terra

Carros apreendidos no Rio Grande do Sul ficaram detidos na PF em Porto Alegre
Foto: Fabiana Leal/Terra

A quadrilha suspeita de cometer crimes pela Internet, presa pela Polícia Federal na Operação Cardume, utilizava o dinheiro furtado de correntistas para, entre outras coisas, pagar impostos como água, luz e Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA). Segundo a PF, em um ano, período das investigações, foram desviados cerca de R$ 5 milhões. A polícia informou que há indícios que apontam para que o grupo agia há pelo menos 10 anos.

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A Polícia Federal prendeu 27 pessoas em sete Estados na Operação Cardume. O grupo é suspeito de obter senhas bancárias por meio de um método conhecido como phishing scan - programas que capturam dados digitados por pessoas que utilizam serviços bancários pela web. Segundo a PF, a quadrilha fazia transferências ilícitas para contas de laranjas e pagamentos de contas.

De acordo com o delegado da PF Daniel Justo Madruga, a quadrilha usou pelo menos R$ 300 mil em um ano para pagar IPVA. "Nem só membros da quadrilha foram beneficiados." De acordo com ele, nenhum despachante foi preso.

Conforme a PF, a pessoa que utilizava a quadrilha para pagar o IPVA, desembolsava um valor menor do que o imposto, já que o dinheiro saía das contas dos correntistas, e o IPVA era pago integralmente. O dinheiro otbido com os proprietários dos veículos para o pagamento das contas era dividido entre os membros da quadrilha, segundo a PF, que não especificou a porcentagem que cabia para cada integrante do grupo. Segundo o delegado, "os propretários nem sempre sabiam da fraude"

"A quadrilha retirou em apenas um dia R$ 300 mil da conta de um correntista. O valor foi usado quase que integralmente para pagar IPVAs", isse o delegado. De acordo com Madruga, alguns correntistas lesados já foram identificados e ressarcidos pelos bancos. A fraude atingiu os principais bancos do País.

Laranjas
O dinheiro arrecadado na fraude foi desviado para mais de 100 contas de laranjas, segundo o delegado. De acordo com ele, cada laranja recebia em média R$ 200 para emprestar a conta. Os responsáveis por enviar os spans recebiam R$ 5 mil por semana, segundo o delegado.

O principal investigado pela PF foi preso em Santa Catarina. Ele é gaúcho, tem 33 anos e teve uma passagem por Minas Gerais. Ele já havia sido preso em 2005 na Operação Ponto Com, da PF.

Os integrantes da quadrilha serão indiciados pelos crimes de furto qualificado, com penas de dois a oito anos de reclusão, e multa; formação de quadrilha, com penas de um a três anos de reclusão; interceptação informática não autorizada, com penas de dois a quatro anos de reclusão, e multa; e receptação, com penas de um a quatro anos de reclusão, e multa.

Redação Terra