O ministro da educação, Fernando Haddad, disse hoje que os reitores de universidades federais não deveriam fazer uso de cartão corporativo. De acordo com ele, os reitores já têm funções demais e ficam sobrecarregados ao terem de administrar eventuais gastos feitos com o cartão. "Eu considero que não é um instrumento adequado para as pessoas que estão nessa situação de grande visibilidade, sem tempo sequer para se dedicar às normas que regem o instrumento", afirmou.
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Durante seminário sobre educação realizado no Senado, Haddad defendeu ainda que seja criado no Congresso um mecanismo para investigar gastos relativos à educação. Na visão dele, as CPIs têm um prazo limitado e por isso a investigação acaba sendo superficial. Para o ministro, o ideal seria a criação de uma comissão permanente de investigação. "Eu defendo (a criação) de uma comissão permanente de inquérito, de investigação, para saber onde há compromisso e onde não há compromisso com a educação", disse.
Ao ser questionado sobre as irregularidades envolvendo o reitor da Unifesp, acusado de gastar mais de R$ 12 mil em viagens internacionais, nos últimos dois anos, Haddad voltou a dizer que o caso em nada se parece com o vivido na Universidade de Brasília, em que o reitor Timoty Muholand teve que renunciar ao cargo após denuncias de uso irregular de verba pública. Mas segundo o ministro, ele já devolveu o dinheiro usado indevidamente aos cofres públicos e está agora aguardando as investigações da Controladoria-Geral da União (CGU).O ministro também fez um apelo para que o Congresso Nacional revogue a Desvinculação de Recursos da União (DRU) referente à verbas da educação "de uma vez por todas". "Convidei o Congresso a dar uma boa notícia para o país e revogar a DRU de uma vez por todas. Com o fim da obstrução da pauta podemos levar a proposta a Plenário e revogar isso que eu considero um dos maiores pecados que já cometemos contra a educação, retirar praticamente 30% do orçamento do MEC", desabafou.
Na semana passada, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) aprovou, por unanimidade, a proposta que exclui da DRU os recursos destinados à educação. A proposta prevê que os recursos sejam liberados gradualmente até 2011. Mas o texto ainda precisa da aprovação da Câmara e do Senado para que os recursos sejam devolvidos à educação.



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