inclusão de arquivo javascript

 
 

Rio: Tuchinha teme ser morto por líderes do CV

24 de fevereiro de 2008 02h29

No vôo de volta ao Rio de Janeiro, o chefe do tráfico no morro da Mangueira, Francisco Paulo Testas Monteiro, o Tuchinha, preso por agentes da Polícia Federal (PF), pediu para não ser levado ao presídio Bangu 1, pois teme ser morto por líderes do Comando Vermelho (CV). O traficante se envolveu em disputas com líderes do CV ao longo de 2007, uma delas com o primo Leandro Reis Monteiro, o Pitbull, que ele decidiu sair da favela, em novembro passado.

» Leia mais notícias do jornal O Dia
» Suposto traficante chega ao Rio
» SE: preso suposto chefe do tráfico
» vc repórter: mande fotos e notícias

A briga com Pitbull teve como pivô outro parente, Alexander Mendes da Silva, o Polegar, preso em Bangu. Ambos são ligados a Márcio dos Santos Nepomuceno, o Marcinho VP, que está em Catanduvas. Com a morte do então gerente-geral da favela, Jonas da Silva Sales, o Gordão ou Joaninha, em outubro, o clima ficou ruim. Pitbull assumiu o controle e vários integrantes da quadrilha deixaram a favela.

A situação piorou quando a 17ª Delegacia de Polícia (São Cristóvão) desencadeou a "Operação Carnaval", em 8 de janeiro, para prender 9 traficantes. Uma fortaleza de concreto foi derrubada e a passagem secreta que dava acesso livre para os bandidos à quadra da escola de samba foi descoberta. O episódio gerou uma crise na Mangueira, e seu amigo Ivo Meirelles perdeu o cargo à frente da bateria.

As investigações mostravam que Tuchinha e seu grupo tinham camarote com ar-condicionado, bebida e comida à vontade. Com o nome de Francisco do Pagode, ele ganhou três sambas: na Mangueira, na Lins Imperial e no Paraíso do Tuiuti, as duas primeiras fracassaram.

Durante as festas, um de seus amigos de infância, identificado como Josa, foi morto por Pitbull. Assim, Ivo e outro primo de Tuchinha, Paulão da Associação, fugiram do morro. Ivo não quis comentar a prisão do amigo.

A volta de Tuchinha ao Rio causou mal-estar entre as polícias Civil e Federal. A Divisão Anti-Seqüestro queria tirar o bandido do avião e desembarcá-lo pelo saguão principal do Galeão. Mas as viaturas da Polícia Federal (PF) estacionaram na pista e o levaram por trás. Mas o maior constrangimento foi na apresentação do preso: ao lado do secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, o superintendente da PF, Valdinho Jacinto, pouco sabia dos detalhes da prisão. Chegou a dizer que o mandado de prisão era da Justiça Federal, e se corrigiu, já que a Vara é da Capital.

Oito meses antes de ter a prisão decretada gravações telefônicas mostravam que, entre outras medidas, Tuchinha expulsou um de seus gerentes, Carleci Ramos Machado, o Máscara, e autorizou que a casa dele fosse saqueada por outros bandidos. A investigação da Polícia Civil mostrava ainda que, em noites de ensaio, o tráfico dentro da quadra era controlado por Vera Lúcia Santiago, a Verinha Candelária, cozinheira de Tuchinha.

Uma carta de 24 de janeiro de 2007, procedente de Catanduvas, também revelava a atuação de Tuchinha. O texto cobrava explicações pela morte de um fornecedor ligado a Fernandinho Beira-Mar: "Se não tiver explicação, a gente terá que mandar uma escrita para o amigo Beira-Mar. Ele que irá resolver da melhor forma para não ter que vim te (sic) prejudicar", dizia a carta.

As reportagens revelaram que a Home Tintas, empresa que deu o emprego de vendedor a Tuchinha, quando ganhou a liberdade condicional, tinha como sócia sua mulher, Ana Cláudia Pereira de Carvalho, a Gracinha. As seis lojas do grupo eram fachada. Só duas estavam abertas, mas com pouco material à venda.

Meses depois, os grampos da 17ª Delegacia de Polícia revelaram seu verdadeiro ramo. Em um dos trechos, Tuchinha aparecia autorizando um comparsa não identificado a comprar e testar uma metralhadora.

O Dia
O Dia - © Copyright Editora O Dia S.A. - Para reprodução deste conteúdo, contate a Agência O Dia.