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 1907: falha em rádio pode ter contribuído para acidente
15 de outubro de 2007 03h46 atualizado às 05h03

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Falhas na cobertura de rádio podem ter contribuído para o acidente com o Boeing da Gol, ocorrido em setembro no ano passado. Entre quatro opções que poderiam ter sido utilizadas para o contato entre o jato Legacy e o Cindacta-1 (123,30 MHz, 128,00 MHz, 133,05 MHz e 135,90 MHz), apenas uma estava operante, de acordo com o jornal Folha de S.Paulo. A Aeronáutica nega problemas com a área, que fica no espaço aéreo entre Brasília e a região amazônica. Morreram 154 pessoas no choque entre as duas aeronaves.

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O jornal chegou a essa conclusão depois de cruzar dados do laudo da Polícia Federal sobre o acidente com a caixa preta do Legacy e as transcrições dos diálogos dos controladores. O documento com as transcrições, obtido pela Folha, é de responsabilidade do major Fernando Siqueira, chefe do Seção de Investigação e Prevenção de Acidentes e Incidentes (Sipacea).

A lista das freqüências de rádio disponíveis consta na carta aeronáutica brasileira, um dos documentos que guia a aviação. Os controladores são os responsáveis por indicar aos pilotos qual delas utilizar. Segundo o jornal, mesmo tendo apenas uma freqüência disponível (135,90 Mhz) para a região em que sobrevoava, o Legacy não recebeu instrução de sintonizá-la. O inquérito da Força Aérea Brasileira (FAB) acusa o controlador Jomarcelo dos Santos como o autor do erro.

A Folha informa que o Santos orientou o Legacy a sintonizar o rádio em 125,05 MHz, sem segunda opção de sintonia. Mas essa feqüência pertence a outro setor da carta aeronáutica, tendo alcance insuficiente na área em que o avião voava.

Controladores explicaram para o jornal que a indicação de freqüências de outras áreas é comum por conta de problemas de cobertura. A prática, eles alegam, seria a de indicar a freqüência que estivesse funcionando melhor.

Outras falhas
O problema com o rádio não exclui a responsabilidade de os pilotos do Legacy, Joseph Lepore e Jan Paladino, por estarem voando com o transponder desligado.

Da mesma forma, ele também não invalida outros erros dos controladores que já foram apontados: autorização de altidade errada, falta de monitoração do Legacy e falha dos procedimentos para problemas de comunicação.

Redação Terra