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Bandidos no Rio tem "código" para roubar casas

05 de outubro de 2007 02h54

Moradores de Santa Teresa, no Rio, estão aterrorizados com a onda de ataques a residências, comércio e pedestres. Segundo a Associação de Moradores e Amigos de Santa Teresa (Amast), os assaltos ocorrem a qualquer hora e se intensificaram nas últimas semanas. Os ladrões usam até códigos desenhados em postes para indicar as casas que, supostamente, seriam mais fáceis de ser invadidas. Ontem à noite, moradores se reuniram com representantes das polícias Civil e Militar para exigir mais segurança.

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"Queremos policiamento e investigações aprofundadas para identificar os bandos", afirmou o diretor da associação, Pedro Cascardo. Em sua página na Internet, a direção da Amast diz que os moradores e turistas vêm sofrendo com "uma sucessão de assaltos, aparentemente praticados pelas mesmas quadrilhas. Seqüestros e roubos a motoristas estão traumatizando e limitando a convivência social".

A família da advogada M., 62 anos, já foi assaltada 11 vezes em 12 meses. "Já não sei mais a quem pedir socorro. Cansei de pedir proteção à polícia. Das 11 ocorrências registradas na 7ª DP (Santa Teresa), oito foram invasões e três assaltos na porta da minha casa. No último roubo, dia 23, cinco bandidos aparentando ser menores de idade chegaram a fazer roleta-russa na minha cabeça antes de fugir, levando vários pertences", lembra ela.

Toque de recolher
Na localidade batizada ironicamente pelos moradores de Triângulo das Bermudas, no entroncamento das ruas Joaquim Murtinho e Francisco Moratori, os assaltantes criaram códigos para identificar suas vítimas. Um deles é o desenho da cara de um gato nos postes, que indicaria que em determinado imóvel não há cachorro.

"Os ladrões impuseram até toque de recolher. Depois das 17h30, poucos moradores se arriscam a sair de casa. Eles também usam diferentes formas de assovios para se comunicar, quebram lâmpadas dos postes para escurecer a rua e chegam a ficar escondidos até em galhos de árvores à espera de suas vítimas", comenta o designer R., 39 anos.

Em muitos casos, os bandidos agem com truculência. "Na sexta-feira, quando chegava em casa, fui abordado por um homem numa moto, com duas armas na cintura. Nervoso, demorei a tirar os R$ 100 que tinha no bolso e levei um tapa no peito", lamentou o aposentado I., 87 anos, que há seis meses teve seu Fiesta roubado por dois homens armados na Rua Cândido Mendes.

Vizinha de I., a consultora R., 33 anos, além de ser ameaçada, levou um soco no rosto durante um assalto em que o bandido roubou a sua bolsa há 20 dias.

O delegado da 7ª DP (Santa Teresa), Marcos Antônio da Silva, acredita que moradores tenham medo de registrar os casos e colocou o telefone 2242-0013 à disposição para denúncias, mesmo que sejam feitas anonimamente.

De janeiro de 2006 até ontem, apenas 15 registros de assaltos a residências tinham sido feitos na delegacia, segundo o delegado. "Temos feito ações e tirado vários assaltantes de circulação", afirmou ele. Ontem, foi preso Jaquessom Babo da Silva, 23 anos, suspeito de cometer diversos roubos no bairro.

O comandante do 1º BPM (Estácio), tenente-coronel Carlos Norberto Mendes, declarou que houve reforço de patrulhamento nos últimos dias. Mais 15 homens foram designados para atuar no policiamento ostensivo de Santa Teresa, totalizando 30 policiais diariamente. "Temos atuado em vários pontos que são considerados estratégicos, de acordo com as estatísticas", garantiu Mendes.

O oficial afirmou desconhecer o suposto toque de recolher na área denunciada pelos moradores. O comandante reconheceu, no entanto, que há dificuldades no patrulhamento do bairro. "Santa Teresa é cercada por oito favelas e parece um labirinto de ruas. Além disso, a iluminação da maioria das ruas é muito deficiente", alegou o coronel Mendes.

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