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 Gol: marido de vítima sente paz no local do acidente
04 de outubro de 2007 17h59 atualizado às 22h20

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O coronel da reserva do Exército Marcos Antonio Marinho Silva, viúvo da médica Ana Maria Caminha Maciel Silva, vítima do acidente com o Boeing da Gol, esteve nesta quarta-feira no local da queda da aeronave, na terra indígena Capoto Jarina, no município de Peixoto de Azevedo, em Mato Grosso. Ele afirmou que, pela primeira vez desde o acidente, conseguiu sentir paz interior.

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O Boeing se chocou com o jato Legacy dia 29 de setembro do ano passado, matando 154 pessoas. Os destroços do Boeing 737-800 ainda permanecem no local.

"Por incrível que pareça, estou sentindo uma paz interior que há um ano não sentia, mesmo tendo poucos minutos no último local onde a minha esposa esteve", afirmou o coronel.

Os membros do Corpo de Bombeiros que participaram da viagem serviram o mesmo quartel do Exército que o coronel, em Recife (PE). "Eu poderia ter ido até o local do acidente e auxiliado, mas nem me lembrei dos amigos que moram em Mato Grosso. Agora, um ano depois, eles entraram em contato comigo e resolvi fazer a viagem", contou. A viagem começou segunda-feira e se encerrou hoje.

Após conseguir chegar ao local onde estavam os destroços, o coronel pediu para que os integrantes do grupo que o acompanhava dessem as mãos para fazer uma oração. Em seguida, pediu para que os índios também fizessem uma oração na língua deles.

Em homenagem à mulher, ele levou as duas alianças para um ourives e pediu para soldassem as duas juntas, para guardar de lembrança.

"Eu sinto muito a falta dela, era uma grande companheira. Sempre quando vou tomar uma decisão, penso no que ela falaria para mim e tento tomar uma decisão a partir do que seria a nossa conversa", disse o coronel.

Ele falou que os filhos estão grandes e que cada um segue sua vida, e não sabe como lidará com o fato de estar sozinho. "Tenho três filhos, uma menina e dois garotos. Eles já estão grandes, cada um tem sua vida", contou.

"Na solenidade de um ano do acidente da Gol, todos os familiares se reuniram e pude ver que muitos tiveram as vidas destroçadas. A gente ficou no mesmo hotel, tive a impressão que estava acontecendo tudo de novo. Ao encontrar os outros familiares, meu sentimento de tristeza voltou muito forte", disse.

Silva ressaltou que o acidente com o Airbus da TAM em Congonhas, em julho, na cidade de São Paulo, fez com que ele voltasse a ter o mesmo sentimento de quando soube do acidente da mulher.

Redação Terra