Relatório do Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE) que será entregue hoje ao delegado titular da 58ª DP (Posse), Fábio Pacífico, deverá atestar que o acidente com dois trens da SuperVia, ocorrido dia 30 de agosto, foi mesmo provocado por uma seqüência de falhas humanas. Oito pessoas morreram.
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No documento de 50 páginas, peritos descrevem a ocorrência de sete erros, dois a mais que os apurados pela concessionária. Segundo o relatório, as novas falhas foram cometidas pelo operador Edson Assunção Filho. De acordo com o laudo, o primeiro erro foi ter permitido que as duas composições trafegassem em rota de colisão, o que aconteceu quando o controlador autorizou o trem de testes a mudar da linha 2 para a linha 1, na qual estava a composição lotada de passageiros.
A segunda falha foi a opção do operador de não comunicar através de rádio aos maquinistas a alteração de rota do trem de testes e ter confiado só no sistema de sinalização, o que poderia evitar o desastre.
Os outros 5 erros coincidem com os apontados pela SuperVia. A concessionária responsabiliza o maquinista Norival Ribeiro do Nascimento por três deles, e o operador Edson pelos restantes. No primeiro, o controlador permitiu que Norival saísse da estação de Comendador Soares, anterior à de Austin, onde houve o desastre. O sinal naquela estação não foi fechado, o que poderia ter atrasado a partida da composição de passageiros. A segunda e a terceira falhas são atribuídas a Norival: ele trafegava a 76 km/h quando deveria estar a 60 km/h e não reduziu a velocidade ao passar pelo segundo sinal, amarelo.
O quarto erro é imputado ao operador Edson, que deveria ter cancelado a autorização dada a Wellington da Rocha Barros, maquinista do trem de testes, para mudar de linha, o que não foi feito. Já o quinto foi de Norival, que ultrapassou um sinal vermelho, o último antes de Austin.
Maior desastre em 7 anos
Considerado o pior acidente envolvendo trens nos últimos sete anos no Rio, o choque em Austin, em Nova Iguaçu, aconteceu às 16h15 do dia 30 de agosto e deixou oito mortos e 101 feridos. Composição com 800 pessoas bateu em outra, que havia mudado de linha com autorização do centro de controle operacional. Após o desastre, bandidos se aproveitaram da confusão e roubaram bolsas, relógios e sapatos de vítimas.

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