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Farda do Bope vira moda após o 'Tropa de Elite'

02 de outubro de 2007 01h53 atualizado às 10h30

Uniforme dos policiais do Bope é sucesso de vendas . Foto: O Dia

Uniforme dos policiais do Bope é sucesso de vendas
Foto: O Dia

O sucesso de 'Tropa de Elite' chegou ao comércio especializado em fardas militares. Vendedores estimam que a procura por uniformes semelhantes aos usados pelos policiais do Batalhão de Operações Especiais (Bope) cresceu 30% desde que o filme foi pirateado. Uma loja no Centro do Rio vendeu 20 conjuntos para civis mês passado. Os compradores iriam participar de festa à fantasia. Cada um desembolsou cerca de R$ 250 para sair parecido com PMs do Bope. Peças separadas também estão sendo usadas nas ruas, segundo vendedores.

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"Eles queriam calças e blusas pretas. Diziam que se vestiriam de Bope para participar do Terê Fantasy", contou o gerente de loja na rua Primeiro de Março, no centro do Rio. A maior procura é de jovens até 25 anos e com bom poder aquisitivo. "Os rapazes perguntam sobre a roupa do capitão Nascimento", disse vendedora.

Com muita pechincha, o preço pode até cair, mas o uniforme dificilmente fica por menos de R$ 200. Na Casa Marítima, no Centro, a peça mais barata é a touca ninja, que custa R$ 8, seguido pela boina, R$ 37. O coturno varia de R$ 88 a R$ 120. A calça preta de brim liso sai por R$ 35. Se o modelo for acolchoado, sobe para R$ 58. O valor da gandola (camisão de manga comprida) é R$ 58.

O uniforme pode ser encomendado via Internet. Sites oferecem fardas, brevê (R$ 3,50) e distintivos de boina do Bope (R$ 8,50).

O organizador do Terê Fantasy, Rogério Leal, confirma o sucesso da farda no evento. Na festa, jovens se fantasiaram também de soldados estilizados do Bope, com a marca da caveira e a palavra Bope na roupa preta.

Numa loja com amigos, o segurança Washington Bruan, 31 anos, não resistiu e se vestiu de Bope. "Fui a uma festa em Paquetá e vi muita gente usando. Só compraria para uma festa à fantasia", comentou ele.

Sem legislação
A cautela tem explicação: o modismo impulsionado pelo 'Tropa de Elite' pode ser perigoso. Como não há legislação que regulamente a comercialização de fardas, a venda não tem restrições. "A gente só pode impedir se existir uma lei para isso e, infelizmente, não tem. É uma imprudência do vendedor que sai vendendo sem pedir uma identificação. É preciso bom senso. Defendo que seja regulamentado o comércio de fardas. É um assunto que deve ser pensado", afirmou o chefe de Estado-Maior Geral da PM, coronel Samuel Dias Dionízio.

O Bope está em destaque. A procura para ingressar no batalhão nunca foi tão grande. Ontem, foi iniciado o XXI Curso de Ações Táticas do Bope. Dos 300 interessados, 31 farão treinamento de um mês. Previsto para acontecer nos próximos dias, o curso de Operações Especiais atraiu 600 homens. Só 30 foram selecionados.

Estilistas reprovam uso de roupa
Usar o uniforme do Bope nas ruas e em festas à fantasia, o mais novo modismo da cidade, é visto com desconfiança por estilistas. Segundo Beto Neves, da marca Complexo B, é preciso ter cuidado. "Não é politicamente correto, tem que existir uma hierarquia", pondera ele. "Quem quiser homenagear o filme deve preferir peças militares, com estilo retrô, e roupas camufladas, que são clássicos".

A estilista Athria Gomes também desaprova: "Vale usar coturno, condecorações e camuflados. Mas vestir o uniforme oficial acho perigoso". Marcelo Iabrude, da Tear Gas, que em julho de 2006 lançou coleção de verão 2006/2007 chamada Poder Paralelo, na qual fazia alusão ao Bope, acha positivo os jovens se identificarem com a unidade. "Melhor do que eles se inspirarem na bandidagem", explica.

Mesmo sendo fã do Bope, Marcelo recomenda equilíbrio na hora da produção. "O bacana é usar a roupa desmembrada. Do contrário, fica over". Animado com o sucesso e com a polêmica do filme, ele avisa: "Vou relançar a camiseta que criei na coleção Poder Paralelo, inspirada no Bope".

Para a pesquisadora de moda Paula Acioli, o jovem que compra o uniforme do Bope procura pertencer a um grupo de elite. "São roupas de proteção, de ataque e que criam a fantasia do poder", conclui.

A moda do Bope chegou até às sex shops. Na loja Muito Prazer Conveniências Eróticas, na Barra da Tijuca, especializada em produtos eróticos, a procura por peças estilizadas do filme tem sido tão grande que a proprietária já encomendou acessórios com caveiras.

"Está previsto para chegar até o fim da semana. Muitas mulheres estão procurando por causa do filme. O conjunto deve custar cerca de R$ 80. Vai ser um short e um top com caveiras. Quem quiser aprimorar pode comprar algemas e outros acessórios", afirmou a proprietária da sex shop, Margôt Bertholo.

Apreensão: para as Farc
Duzentas e quarenta fardas com padrão do Exército Brasileiro, que seriam enviadas para o grupo guerrilheiro Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), segundo a polícia, foram apreendidas, na manhã de ontem, em uma casa na periferia de Manaus.

O dono da residência foi preso e afirmou que guardava as fardas a pedido de um colega, que ainda não foi ouvido pela polícia. A polícia acredita ele tenha envolvimento com uma quadrilha presa há três anos em Manaus. O bando mandava munição e fardas aos guerrilheiros das Farc.

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