Um ano após o acidente com o vôo 1907 da Gol, os familiares das vítimas celebraram neste sábado um culto ecumênico em Brasília para homenagear os parentes. Antes da cerimônia, porém, representantes da Associação de Familiares e Amigos das Vítimas do Vôo 1907 contestaram informações da Gol sobre o número de indenizações acertadas e entregaram uma carta com queixas destinadas ao governo federal.
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De acordo com a companhia aérea, 32 famílias fizeram acordo de indenização. Segundo a presidente da associação, Angelita de Marchi, no máximo 25 famílias foram indenizadas.
Outro ponto que incomoda os familiares é o fim do prazo dos planos de saúde, que termina no domingo. Os familiares devem se reunir com o presidente da Gol, Constantino de Oliveira Júnior, ainda neste sábado, em Brasília, para tratar desse assunto, entre outras reivindicações.
Segundo Angelita, "é humilhante ter de provar que se está doente".
Carta
As principais reclamações contra o governo foram sintetizadas numa carta aberta distribuída durante o culto. No documento, os representantes dos 154 mortos no desastre reclamaram do fato de até hoje não terem sido recebidos pelo presidente Lula. "Somos cidadãos, eleitores e temos direito a ser tratados com dignidade. Temos direito a informações claras, precisas e apoio dos órgãos submetidos ao seu comando", afirmou o texto.
A denúncia do suposto furto de pertences das vítimas resgatados do local do acidente foi um dos pontos centrais da carta. A associação criticou a afirmação do ministro Tarso Genro de que ele só tomou conhecimento do caso por meio da imprensa. "Essa questão, senhor ministro, era o último item da lista que entregamos a Vossa Excelência, que não se dignou a ler, nem mesmo, nossa solicitação", ressaltou o documento.
No texto, a entidade ainda expressou indignação com o fato de os pilotos do jato Legacy, Joe Lepore e Jan Paladino, estarem em liberdade um ano depois do acidente.
Fazenda Jarinã
Um grupo de apenas seis familiares partiu de Brasília em um avião da Força Aérea Brasileira (FAB) rumo à fazenda Jarinã, que serviu de base para os trabalhos de resgate das vítimas. Segundo Jorge André Cavalcante, que participou do vôo, "essa, que foi nossa última homenagem, foi muito importantes para as famílias".Cavalcante afirmou que durante a visita à fazenda, onde foi construída uma capela em homenagem às vítimas, os familiares deixaram no local uma placa de agradecimento e imagens de nossa senhora de Fátima e nossa senhora Aparecida. "Os representantes da fazenda e os funcionários ficaram muito gratos por estarmos lá", afirmou.
Na Base Aérea do Cachimbo, Cavalcante disse que foi colocada uma "placa em agradecimento a todos os militares e civis que ajudaram a trazer nossos parentes". Ele afirmou ainda que as famílias que participaram da cerimônia "só tem a agradecer à Aeronática pelo apoio que tem dado às famílias".
Entretanto, Cavalcante faz questão de ressaltar que os parentes das vítimas exigem do governo federal que seja criado um órgão especial para apoiar famílias de vítimas do acidente aéreo. "Queremos que isso seja transformado em lei", disse.
Segundo ele, os parentes solicitam também do Congresso a implantação de um novo plano de assistências às famílias.



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