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 Gol: famílias relembram vítimas antes de voar a MT
29 de setembro de 2007 13h05 atualizado às 14h34

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Parte dos familiares das 154 vítimas do vôo 1907 da Gol relembraram na manhã deste sábado, um ano após o acidente, as histórias dos parentes que morreram. Pouco antes da viagem no Hércules C-130 da Força Aérea Brasileira (FAB) para o local da queda do Boeing 737-800, em Mato Grosso, eles mantinham os olhares ainda muito tristes e relembravam as perdas. O vôo saiu da Base Aérea de Brasília às 9h40 com destino ao local da queda do avião.

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Margarida Cruz, que perdeu o filho Carlos Cruz, 26 anos, contou que a viagem de hoje serve para fechar um ciclo. "Estou indo com uma esperança boa. Vamos ver se melhora um pouco ir até o local. É difícil aceitar o que aconteceu. Esse ano foi muito difícil", afirmou.

Carlinhos, como era chamado, voltava para Goiânia (GO) depois de uma viagem de trabalho em Manaus (AM). Depois disso, ele seguiria para Anápolis (GO), onde morava. "Para mim é como se ele não tivesse morrido, porque não recebemos o corpo. É como se ele estivesse ainda viajando e não tivesse voltado", conta a mãe, que culpa os pilotos do Legacy pelo acidente.

Alguns parentes ainda mostraram indignação com o que aconteceu e com a companhia Gol. "Está faltando compartilhamento de informações. Estamos sentindo falta de justiça. Não há o desfecho das investigações. A TAM está tratando melhor os familiares do que a Gol. A empresa deixa a desejar na área médica e está deixando os familiares na mão. Para nós essa viagem é uma despedida final. Vou sempre lembrar do sorriso do meu tio, do carinho que ele tinha com a família", desabafou Francis Albert, sobrinho de André Kowalisk. Ele era alemão e deixou uma filha de sete anos. Estava no vôo por conta do trabalho também.

O padre levado pelos familiares para rezar a missa na Base Aérea do Cachimbo, onde o Hércules pousaria, disse que "espera que Deus possa consolar a dor em momentos como esse".

Para Edmar Araújo Lopes, pai de Marcelo, o vôo serviria para ver onde o filho morreu. "Eu tenho outras três filhas mulheres. Ele era o único filho homem. Era muito apegado à família. Tinha recém se formado", contou.

Lopes é um dos familiares que processa a Gol na Justiça dos Estados Unidos, já que houve o envolvimento dos pilotos americanos Joe Lepore e Jan Paladino.

Antes do embarque, alguns parentes reclamaram do fato de apenas seis parentes conseguiram ir em um vôo mais cedo e pousar na fazenda Jarinã, que serviu de apoio para a equipe de resgate. A maioria dos parentes vai apenas sobrevoar o local.

Segundo a Aeronáutica, não havia motivo para a queixa porque durante a reunião com os familiares isso já havia sido acertado. Porém, mesmo com as explicações, alguns parentes decidiram não embarcar para o sobrevôo.

Outros familiares confirmaram a versão da Aeronáutica de que a decisão foi tomada em conjunto na última reunião com os parentes e o chefe do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), brigadeiro Jorge Kersul.

Redação Terra