A cúpula do setor aéreo brasileiro está quase completamente renovada. O estopim da crise que se abateu sobre a área pode ser considerado o acidente com o Boeing da Gol há um ano, mas foi o desastre com o Airbus da TAM no Aeroporto de Congonhas, em julho deste ano, que serviu como fator decisivo para as mudanças.
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Foram 12 trocas promovidas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pelo novo ministro da Defesa, Nelson Jobim. Mas as alterações foram lentas e graduais.
O acidente com o avião da Gol aconteceu no dia 29 de setembro, às vésperas das eleições presidenciais, em que Lula disputava a reeleição. Após a vitória do presidente nas urnas, era quase um consenso entre aliados e oposicionistas que ele faria mudanças no comando do setor. Mas não foi isso que aconteceu.
O presidente preferiu manter o ministro da Defesa, Waldir Pires; não trocou imediatamente o comandante da Aeronáutica, brigadeiro Luiz Carlos Bueno; e nem exigiu que a recém criada Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) adequasse o volume de tráfego às condições de controle aéreo existentes no Brasil.
Pires só deixou o cargo depois após o motim dos controladores em 30 de março - que paralisou os vôos em todo o País - e após o acidente da TAM.
O brigadeiro Bueno, criticado por suposta falta de comando dos controladores, saiu durante a reforma ministerial e foi substituído pelo brigadeiro Juniti Saito, que assumiu a Aeronáutica com mão de ferro.
Na Defesa, o novo ministro, Nelson Jobim, deu início às mudanças mais radicais. Ele passou a dar mais força ao Conselho de Aviação Civil (Conac), órgão que determina as políticas públicas para o setor, e obrigou a Anac a fazer mudanças na malha aérea, reduzindo o número de aviões que utilizam o aeroporto de Congonhas, no centro de São Paulo.
Uma série de acontecimentos, entre eles a apresentação de um documento sem validade da Anac à Justiça de São Paulo para a liberação de vôos em Congonhas, forçou a renúncia quase que coletiva de quatro dos cinco diretores do órgão regulador. Apenas o presidente da agência, Milton Zuanazzi, ainda resiste desde o acidente com o vôo da Gol.
Na Infraero, o ministro também promoveu uma reformulação total. O brigadeiro José Carlos Pereira, que ocupava a empresa que administra os aeroportos num mandato "tampão", deu lugar a Sérgio Gaudenzi, que era presidente da Agência Espacial Brasileira (AEB). Gaudenzi trocou todos os cinco diretores da Infraero e determinou uma auditoria interna para apurar possíveis irregularidades.
As mudanças ainda devem prosseguir. Jobim já nomeou a economista Solange Vieira para o cargo de diretora-presidente da Anac. O ministro criará ainda a Secretaria de Aviação Civil cujo titular deve se tornar o secretário-executivo do Conac. Essa pessoa será hierarquicamente superior à Anac, que deve perder o poder de concessão de novas linhas ainda.



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