inclusão de arquivo javascript

 
 

Conheça a biografia de ACM

Em dezembro de 2006, o senador participou de missa no Congresso Nacional pelo encerramento dos trabalhos do ano . Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Em dezembro de 2006, o senador participou de missa no Congresso Nacional pelo encerramento dos trabalhos do ano
Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

A morte do senador Antônio Carlos Magalhães nesta sexta-feira é o último capítulo da história de um dos políticos mais influentes e controversos do País. ACM nasceu em 4 de setembro de 1927 em uma pequena casa na Ladeira da Independência, no bairro de Nazaré, em Salvador.

» Cronologia da vida do senador
» Grampos mancham a trajetória de ACM
» Lembre o escândalo do painel
» Conheça os adversários de ACM
» Mande sua mensagem à família

O senador era casado com Arlete Maron de Magalhães, com quem teve quatro filhos. Antonio Carlos Peixoto de Magalhães Júnior é deputado federal e Teresa Helena Magalhães Mata Pires é assistente social. Sua filha mais nova, Ana Lúcia Maron de Magalhães, suicidou-se em 1986, aos 28 anos. ACM sofreu também a perda de Luis Eduardo Magalhães, então deputado federal e considerado favorito como herdeiro político do pai.

A inclinação de ACM para a política começou ainda durante o ginásio, quando tornou-se presidente do Grêmio Estudantil do Ginásio da Bahia. Era apenas o começo de uma trajetória de vida dedicada à política.

Ainda na faculdade de Medicina da Universidade Federal da Bahia, ACM presidiu o Diretório Central dos Estudantes e começou a trabalhar como redator do jornal Estado da Bahia (que pertencia aos Diários Associados). Após a formatura, tornou-se professor assistente e substituto da Faculdade de Medicina da Universidade Federal da Bahia.

Foi em 1954 que, através da União Democrática Nacional(UDN), Antônio Carlos Magalhães iniciou sua vida de político profissional. Neste ano, ele elege-se deputado estadual da Bahia e torna-se líder da bancada da União Democrática Nacional (UDN). Em 1958, elegeu-se deputado federal, sendo reeleito em 1962 e em 1966.

Desde então, o político baiano acumulou diversos cargos em esfera estadual e nacional. Quando o bipartidarismo foi instituído no País, em 1966, ACM foi um dos primeiros a se filiar à ARENA (Aliança Renovadora Nacional), partido que dava sustentação ao regime militar. Em 1967, licenciou-se do cargo de deputado federal e foi nomeado prefeito de Salvador pelo então governador da Bahia, Luís Viana Filho.

Em 1971 assumiu o cargo de governador do Estado da Bahia pela primeira vez. Através de grandes obras - muitas delas envolvidas em denúncias de favorecimento próprio ou superfaturamento - ele conquistou a simpatia do povo da Bahia. Desde então, raras vezes o Estado foi governado por políticos não alinhados ao "carlismo", expressão que passou a ser empregada para designar a força da influência política de ACM - seus aliados fiéis ganharam o nome de "carlistas".

Em 1978, foi novamente eleito governador da Bahia por meio de um colégio eleitoral. Governou o Estado entre os anos de 1979 e 1983.

Filiado ao Partido Democrático Social (PDS), em 1984, ACM apoiou Tancredo Neves (PMDB) no processo de redemocratização do País. Assim, conseguiu se manter no poder como ministro das Comunicações de José Sarney e ajudar na fundação do PFL (Partido da Frente Liberal) junto com outros dissidentes do PDS.

A gestão de ACM no ministério foi marcada por diversas denúncias e uma grande distribuição de concessões de TVs e rádios - beneficiando, inclusive, a ele próprio. Foi nesta época que o então ministro conseguiu convencer Roberto Marinho, com quem mantinha uma reconhecida amizade, a transformar a sua TV Bahia em retransmissora da Rede Globo no Estado. Até 1989, a afiliada local da Globo era a TV Aratu. A nova configuração foi fundamental para a manutenção da influência de ACM na Bahia.

Disposto a permanecer no poder, ACM apoiou a campanha de Fernando Collor de Mello e, por ocasião da votação para abertura do processo de impeachment contra o ex-presidente, ordena que a bancada do PFL vote contra a cassação. Depois do impeachment de Collor, quando Itamar Franco assumiu a Presidência, em 1992, que ACM viveu pela primeira vez a sensação de ser oposição.

A situação mudou com a primeira eleição de Fernando Henrique Cardoso, em 1994. FHC teve apoio do então senador da República, que presidiu a Casa entre os anos de 97 a 2001. A ruptura com FHC ocorreu apenas em 2001, quando ACM fez uma série de denúncias de corrupção contra o governo em função do apoio do Palácio do Planalto à eleição de Jader Barbalho para a presidência do Senado.

Mesmo estando formalmente na oposição, ACM manteve-se estrategicamente ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva até 2004. Nas eleições do ano passado, o declínio da trajetória política de ACM se evidenciou com a vitória do petista Jaques Wagner para o governo da Bahia no primeiro turno. No segundo turno das eleições presidenciais, quando apoiou o candidato Geraldo Alckmin, ACM sofreu mais uma derrota com a vitória de Lula em 415 dos 417 municípios baianos. Eram os sinais do declínio do "carlismo", que agora sofre seu maior golpe.

Redação Terra