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'Times' chama Rio de decadente e critica governos

13 de abril de 2007 07h29 atualizado às 07h59

A "Cidade Maravilhosa" está buscando ajuda do Exército para conter seu "derramamento de sangue diário" e uma violência urbana que está "saindo do controle", diz reportagem publicada nesta sexta-feira pelo diário britânico The Times.

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O jornal comenta que o pedido do governador do Rio, Sérgio Cabral, para o uso do Exército no combate à violência veio "dias depois de um policial destacado para a segurança da família de Cabral ter sido morto após seu carro ter sido atacado".

"Falando no funeral, o governador disse que as pessoas da cidade estavam em um estado de pânico e que agora seria o momento para o Estado e o governo federal unirem esforços", diz a reportagem.

O jornal afirma que os esforços para combater o problema da violência no Rio fracassaram ao longo dos anos "por causa da corrupção endêmica e dos governos cronicamente ineficientes que foram incapazes de reverter a decadência da cidade desde a metade do século passado, quando a capital federal se mudou para Brasília e São Paulo tomou seu posto de principal centro financeiro e industrial do País".

O Times comenta que o uso dos militares no combate à criminalidade urbana causa polêmica dentro e fora do governo e que uma das preocupações é de que, em contato direto com os criminosos, "eles sejam corrompidos pelas grandes somas de dinheiro que os traficantes de drogas que ocupam as favelas do Rio têm à disposição".

O jornal lembra que no ano passado 1,2 mil soldados tomaram várias favelas após traficantes terem roubado armamentos de um depósito militar, mas que as armas somente foram devolvidas "após um nebuloso acordo entre comandantes do Exército e chefes do tráfico".

"Decisão difícil"
O tema da violência no Rio também ganhou destaque no jornal espanhol El País, que diz que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva "tomou ontem uma decisão difícil: autorizou o governador do Rio para que o Exército patrulhe as ruas da capital carioca e lute contra a violência urbana".

O jornal observa, porém, que "o sim de Lula tem matizes". "Consciente da polêmica suscitada na opinião pública e também no seio das Forças Armadas, o presidente advertiu ontem de que as três armas colaborarão com a segurança cidadã 'no que seja possível, sem violar a Constituição'", diz a reportagem.

O diário argentino La Nación também traz reportagem sobre o tema, afirmando que Lula "autorizou ontem as Forças Armadas a 'colaborar, no que seja possível', nos esforços de combate ao crime organizado no Estado do Rio de Janeiro".

"Porém o grau de cooperação e a estratégia a seguir serão definidos em uma reunião que se realizará na próxima segunda-feira", observa jornal. A reportagem comenta que os índices de violência no Rio estão em ascensão desde janeiro, quando Sérgio Cabral assumiu o governo.

"A violência segue em alta quando faltam pouco mais de três meses para o início dos Jogos Panamericanos do Rio, dos quais participarão cerca de 5,5 mil atletas de 42 países, entre 13 e 29 de julho", conclui o jornal.

Combate à pirataria
Dias após o governo americano ter entrado com uma queixa contra a pirataria chinesa na Organização Mundial do Comércio, reportagem do Wall Street Journal nesta sexta-feira relata a tática mais leve adotada pela Câmara de Comércio dos Estados Unidos contra os produtos piratas em outros países, como o Brasil.

"Em vez de promover sanções ou cobrar as perdas das companhias americanas com a pirataria, o grupo empresarial está conduzindo estudos e juntando provas no Brasil, na Índia e em outros lugares para mostrar a eles quantos impostos seus Estados e governos locais estão perdendo para os falsificadores", diz o jornal.

A reportagem diz que o grupo está também levando representantes de empresas como Mattel, Nike, Time Warner, Gillette e Microsoft a esses países para treinar as autoridades locais a reconhecer a diferença entre produtos legítimos e piratas.

"O esforço tem como objetivo contornar um grande obstáculo nas campanhas anti-pirataria no exterior: persuadir os líderes locais de que eles têm a ganhar ao pressionar pela aplicação da lei nas ruas", diz o texto.

O jornal comenta que uma pesquisa encomendada pela Câmara de Comércio dos Estados Unidos no Brasil indicou altos índices de consumo de produtos pirateados "em todos os níveis sociais, e não somente nas classes mais baixas, como algumas autoridades brasileiras acreditavam".

Segundo a reportagem, o levantamento também estimou que o governo brasileiro perdeu US$ 9,3 bilhões em impostos no ano passado por causa da pirataria.

BBC Brasil
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