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Criminoso se exibe no Orkut com farda da polícia

12 de abril de 2007 09h48 atualizado às 11h52

Criminoso veste farda militar. Foto: Reprodução do Orkut /O Dia

Criminoso veste farda militar
Foto: Reprodução do Orkut /O Dia

O assaltante mais procurado do Rio de Janeiro, que tem contra si seis mandados de prisão, possui um perfil no site de relacionamentos da Internet. No Orkut, Jairo César da Silva Caetano, o Gerinho, é exposto com cordões e pulseiras de ouro, vestindo a farda do Batalhão de Operações Especiais (Bope) e segurando um fuzil FAL, calibre 7.62. No tópico 'quem sou eu', está a descrição: "assalto pra c. e ninguém me pega. Tiro onda com a cara da Rocinha e da polícia. Vou zoar a zona sul até não poder mais".

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O delegado da Delegacia de Repressão a Armas e Explosivos (Drae), Carlos Oliveira, não teve dúvidas ao identificar Gerinho, vendo as fotos. "Esse uniforme do Bope que ele está usando, nós já conseguimos pegar. Provavelmente, usaria essa farda para praticar novo assalto", diz.

Gerinho, ou Jairinho, é o líder da quadrilha que participou de crimes ousados recentemente. O principal foi o assalto ao Bingo Botafogo, em julho de 2006, quando bando usava roupas e até viaturas clonadas da Polícia Federal. Na época, especulou-se que o ataque lhe rendera R$ 800 mil, mas só foi registrado o roubo de R$ 110 mil. Valores que podem explicar mais de um quilo de ouro em jóias, com as quais ele aparece no Orkut. Só os cordões pesam cerca de 800 g. O restante é de anéis e pulseiras.

Um joalheiro ouvido pelo jornal O Dia, estimou o valor entre R$ 45 mil, no mercado negro, e R$ 55 mil, em lojas.

Paixão por roubar
No tópico 'paixões' da página atribuída a Gerinho, o resumo diz: "roubar, matar polícia e invadir favela de ADA", referência à facção criminosa Amigos dos Amigos. A resposta vem de bandidos e até de homens da lei. Um policial civil identificado como Ferreira dispara: "em breve você aparece por aí no noticiário, mas só que em pedaços". No site, o bandido se identifica como 'Jairinho CVRL até morrer'. A sigla é alusão ao Comando Vermelho.

A farda e o fuzil usados pelo bandido na foto já estariam nas mãos da polícia. No dia 6 de março, numa operação no Complexo do Alemão, agentes da Drae encontraram o material na casa de Gerinho, localizada no Beco da Coruja, na Grota.

Os policiais chegaram a trocar tiros com o bandido, que conseguiu escapar. Mas, dentro da casa, a Drae encontrou oito jaquetas e seis boinas com o emblema do Bope, quatro jaquetas pretas, um fuzil FAL, 19 emblemas da PM, além de uniformes e adesivos para carros da Polícia Federal e da Polícia Rodoviária Federal.

Os policiais também encontraram balas de festim para usar em fuzis. Elas seriam parte da munição roubada junto com 90 armas (60 réplicas e 30 verdadeiras) por Gerinho e seus comparsas em 2 de novembro, na descida do Morro Chapéu Mangueira, no Leme. O material pertencia à equipe de produção do filme Elite da Tropa.

Segundo investigações da Polícia Civil, as armas foram levadas para o Morro Pavão-Pavãozinho, em Copacabana, e depois distribuídas entre Mangueira, Alemão e Morro da Providência.

Currículo
O nome de Gerinho surgiu em fevereiro de 2006, quando ele liderou uma tentativa de invasão à Rocinha. Seis pessoas morreram e seu bando acabou expulso da comunidade. A investigação da 15ª DP (Gávea) revelou que o grupo de Gerinho usou até um caminhão da Light para atacar os rivais. E sua prisão foi decretada pelo 1º Tribunal do Júri da Capital.

Entre os outros cinco mandados de prisão contra o assaltante, dois são pelo roubo das armas do filme e pelo ataque ao Bingo Botafogo. Além deles, Gerinho também foi investigado pela Divisão Anti-Seqüestro (DAS) no desaparecimento da estudante Priscilla Belfort, dia 9 de janeiro de 2004. Dos 11 denunciados, apenas ele não foi preso até hoje.

A mais recente ação de Gerinho ocorreu na Rodovia Washington Luiz, em 21 de janeiro. Ele e pelo menos outros nove bandidos utilizaram duas Blazers com adesivos da Polícia Federal e, armados com fuzis, pistolas e granadas, renderam funcionários da Concer, roubando R$ 74,8 mil do pedágio da Rio-Teresópolis, na altura de Magé. O mandado de prisão desse caso foi expedido pela 3ª Vara Criminal de Duque de Caxias.

O Dia
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