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Amazônia: cidades desmatadas são as mais violentas

07 de abril de 2007 11h52 atualizado às 12h06

Dos 100 municípios com maiores índices de desmatamento na Amazônia, 61 estão entre os que apresentam as maiores taxas de assassinatos no País. Esta foi a conclusão de levantamento realizado pela Agência Brasil, que cruzou dados do Projeto Prodes - Monitoramento da Floresta Amazônica Brasileira por Satélite com o Mapa da Violência dos Municípios Brasileiros, realizado pela Organização dos Estados Ibero-Americanos para a Educação, Ciência e Cultura (OEI), com o apoio do Ministério da Saúde.

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A idéia foi identificar a relação entre o desmatamento e a violência nos municípios da Amazônia Brasileira. Para isso, foram analisados o Gráfico do Desflorestamento até 2005 e os 556 municípios com as maiores taxas de homicídios na população total. Essas cidades representam 10% dos municípios brasileiros, mas, em 2004, concentraram 71,8% do total de homicídios ocorridos no País.

Entre os municípios que figuram nas duas listas, 28 estão em Mato Grosso, 21 no Pará, oito em Rondônia e dois no Maranhão. Os Estados do Acre e Tocantins aparecem com um município cada.

Além disso, entre os 100 mais desmatados, 16 estão também entre os 100 municípios com maior número de assassinatos, incluindo o 1º, o 5º e o 8º lugares dessa lista: respectivamente, Colniza, São José do Xingu e Aripuanã, os três em Mato Grosso.

Em entrevista à Agência Brasil, no dia 6 de março, o governador do Mato Grosso, Blairo Maggi, contestou os dados do Mapa da Violência, afirmando que a metodologia utilizada na pesquisa não é correta.

Ausência do Estado
De acordo com o autor do Mapa da Violência dos Municípios Brasileiros, Julio Jacobo, a ausência do poder público e apropriação ilegal de terras são as principais causas da violência na região de desmatamento da Amazônia brasileira. Jacobo afirma que existe, sim, uma coincidência entre o arco do desflorestamento da Amazônia e o Mapa da Violência.

"Dos 10 municípios mais violentos do Mapa da Violência, cinco ficam na região do Arco do Desflorestamento. Isso já é um bom indicador", avalia o pesquisador.

Entre as saídas para resolver o problema, segundo Jacobo, está a atuação dos municípios e da sociedade civil. "O município tem que assumir que tem violência. Não há cura se não há a consciência da enfermidade. Isso não significa automaticamente chegar à cura, mas é uma condição indispensável", afirma. Ele também acredita que a sociedade deve agir demandando a presença do poder público e denunciando a presença ilegal de madeireiras.

Segundo o coordenador do Programa de Política e Direito Socioambiental do Instituto Socioambiental (ISA), André Lima, a ausência do poder público é o fator determinante para que as áreas com maiores índices de desmatamento sejam também as regiões mais violentas da Amazônia brasileira.

"Essa ausência não é só uma ausência ostensiva, mas ausência em oferecer saídas e estratégias de desenvolvimento que incorporem a população local e que reorientem e ordenem o uso do território", complementa.

Denúncias
O papel da sociedade civil é de extrema importância para combater a violência em áreas de desmatamento, na avaliação do membro da Coordenação Nacional da Comissão Pastoral da Terra (CPT), José Batista Afonso. Levantamento realizado pela Agência Brasil mostrou coincidência entre as listas dos municípios com maior número de assassinatos no país e aqueles com os maiores índices de desmatamento.

Ele cita o exemplo do município de Rio Maria, que na década de 80 era conhecido da região do Sul do Pará como um dos mais violentos do Brasil. Segundo Afonso, a sociedade foi se organizando e denunciando situações de violação dos direitos humanos nas áreas urbana e rural e, com o passar do tempo, esse enfrentamento fez com que a violência diminuísse bastante.

"Não foi só pela presença do Estado, mas principalmente pela cobrança da sociedade e pela presença organizada dos movimentos sociais." Afonso lembra que a ação do governo também é importante, especialmente na promoção de políticas públicas para a reforma agrária, segurança pública, geração de emprego e renda que atendam à população mais pobre, que está mais vulnerável a todas as formas de violência.

Agência Brasil