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Rio: quadrilha invade moradia militar em Guadalupe

06 de abril de 2007 04h16 atualizado às 13h20

Soldados ocupam pontos estratégicos do residencial para impedir novos ataques. Foto: Osvaldo Praddo/O Dia

Soldados ocupam pontos estratégicos do residencial para impedir novos ataques
Foto: Osvaldo Praddo/O Dia

Um grupo de 10 homens armados com fuzil, pistola, escopeta e granadas invadiu no início da madrugada desta sexta-feira o Conjunto Habitacional Getúlio Vargas, em Guadalupe, na zona norte do Rio de Janeiro. Os bandidos, apontados como traficantes de drogas da favela do Muquiço, segundo levantamentos da polícia, tinham como objetivo de matar o sargento pára-quedista identificado como Dex. O caso será investigado pelo Exército.

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Segundo moradores, o bando chegou em um Honda Civic creme e uma moto não-identificada e invadiu o prédio de apartamentos só para militares, próximo à avenida Brasil, e foi direto ao apartamento do sargento, que reagiu. Houve intensa troca de tiros e explosões de granadas. A porta do apartamento do militar foi estourada a tiros, que atingiram também móveis e paredes do imóvel. Outros apartamentos também foram atingidos pelos disparos, mas não há informações de feridos.

Pouco depois do ataque, tropas de soldados da Brigada Pára-quedista e do Regimento Escolar de Infantaria tomaram o conjunto habitacional, ocupando pontos estratégicos para impedir nova investida dos bandidos. Os militares chegaram ao local em caminhões e outras viaturas militares, num total de sete veículos e se espalharam pelo conjunto habitacional. A movimentação das tropas militares foi acompanhada por dezenas de moradores que procuravam assistir a tudo nas janelas.

"Foi dado muito tiro, mas muito tiro mesmo. Eu estou até agora com a perna bamba de tão nervoso e agora não consigo dormir, contou um morador. A intensidade dos tiros foi confirmada por bombeiros do Quartel de Guadalupe, que fica no lado oposto ao prédio na avenida Brasil. Os bombeiros confirmaram também que, apesar da quantidade de tiros, eles não foram chamados para socorrer vítimas no local.

Uma equipe do Serviço Reservado (P-2) do Exército foi acionada para examinar o local. Os militares fizeram medições, fotografaram as áreas atingidas durante o confronto, analisaram pontos de possíveis explosões de granadas e recolheram dezenas de cápsulas de diferentes calibres.

Durante o tiroteio, o Fiat Uno branco com placa de Uruguaiana GTX-1585, que estava na garagem do prédio, teve o párabrisa traseiro estilhaçado e ficou com várias perfurações de tiros na lataria. Militares do Exército evitaram falar sobre o caso, mas moradores do local disseram que o carro atingido não era de propriedade do sargento Dex. O carro, segundo eles, pertence a outro militar também morador do prédio, que não estava em casa.

De acordo com moradores, o sargento Dex estava separado da mulher desde quarta-feira, mas ela estaria passando o feriadão em companhia dos pais dele, fora do Rio de Janeiro, e ele preferiu permanecer no apartamento. Os moradores desconhecem qualquer envolvimento do militar com atos ilícitos ou ligações com bandidos na região. Eles não sabem dizer o que pode ter motivado a tentativa de homicídio, mas não descartam a hipótese do ataque ser uma represália as ações do militar para preservar a segurança do prédio.

"A falta de segurança é muito grande e muitas vezes não há sentinelas nas cabines de entradas", contou um morador. O local vai permanecer ocupado pelos militares por tempo indeterminado, segundo um militar. O registro foi feito na 33ª Delegacia de Polícia (Realengo). Na delegacia, os policiais também evitaram falar sobre o caso.

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