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 Veja quais são os Estados mais pobres e ricos
26 de setembro de 2003 10h56

A Fundação Getúlio Vargas (FGV) divulgou ontem um ranking de miserabilidade das cidades brasileiras. O levantamento mostra que as cidades com menor proporção de miseráveis estão no Rio Grande do Sul e, as com um maior número de famílias carentes, no Maranhão e no Piauí. A partir de lovantamento dos municípios, produziu-se o ranking dos Estados:

Os Estados com mais miseráveis:
Maranhão 68,42% Alagoas 63,75% Piauí 63,30% Ceará 58,65% Bahia 57,89%

Os Estados com menos miseráveis:
São Paulo 14,25%
Santa Catarina 15,36%
Distrito Federal 17,06%
Rio Grande do Sul 18,36%
Rio de Janeiro 19,45%

Redação Terra
  1. Como Acari e todas as belezas do sertão do Seridó, Jardim é limpa

    Foto: Agência Brasil

  2. Já na entrada da cidade, uma fila danada, todo mundo de bacia ou panela na mão. Sopa da Prefeitura para aplacar a fome ou a necessidade de correr desesperadamente atrás do alimento todo dia

    Foto: Agência Brasil

  3. Quase todos os aposentados saem da agência dos Correios com os polegares manchados pela tinta do analfabetismo. A polícia fica na porta, para evitar que algum forasteiro ("cabras safados que aprenderam as ruindades da capital") se aproveite do dinheiro alheio

    Foto: Agência Brasil

  4. Briga de jegues é uma cena comum e agita a tranqüilidade das ruas

    Foto: Agência Brasil

  5. O agricultor Ezequiel Roberto de Macedo é um criador de espécies nativas de abelhas que geram renda e ajudam a recuperar a caatinga estragada

    Foto: Agência Brasil

  6. Vem gente de tudo quanto é canto desse mundo estudar a sua criação, em um sítio que mantém a flora da caatinga

    Foto: Agência Brasil

  7. A família de Irauçuba, município com 19.563 habitantes (dados do censo 2000 do IBGE) e quase toda a sua área tomada pela desertificação, passa fome. Quase todo dia

    Foto: Agência Brasil

  8. Tudo em volta nem está tão triste assim. Há um verde-cinza que engana a vista e o povo ri

    Foto: Agência Brasil

  9. Por mais pobres que sejam, as mães não gostam de mostrar os filhos sujos

    Foto: Agência Brasil

  10. Os rastros de Delmiro, raquítico menino do mato que se fez grande empresário no Recife, estão espalhados e ajudam no combate à miséria da nação semi-árida por todos os cantos do Nordeste

    Foto: Agência Brasil

  11. Fachada do museu Delmiro Gouveia

    Foto: Agência Brasil

  12. Em 1913, ele plugou a caatinga na tomada, ao inaugurar a primeira usina elétrica do país. Os primeiros carros que assombraram os matutos, a fábrica, a terra irrigada, a patinação de rolamento, o cinema, o conhecimento do gelo

    Foto: Agência Brasil

  13. Na cidade alagoana batizada com o seu nome, antigo povoado de Pedra, a 300 quilômetros de Maceió, a Companhia Agro Fabril Mercantil (fundada em 1914), a primeira na América do Sul a fabricar linhas para costura e fios para malharia, emprega hoje 620 funcionários

    Foto: Agência Brasil

  14. O município de Delmiro Gouveia tem 19.462 habitantes

    Foto: Agência Brasil

  15. Delmiro foi vítima de emboscada de cangaceiros a serviço de coronéis incomodados com o poder do empresário. Na foto, local onde ele foi assassinado

    Foto: Agência Brasil

  16. O rosto do cearense virou arte nas paredes da cidade

    Foto: Agência Brasil

  17. O poeta sertanejo Raimundo Pelado assim descreve os feitos do empreendedor: "Quando Delmiro chegou,/naquele triste lugar,/ aquilo era deserto/ de ninguém querer morar,/não tinha casa nem gente,/ nem estrada pra passar"

    Foto: Agência Brasil

  18. A preocupação com limpeza e assuntos do gênero se mantém mesmo até hoje. A ponto de um morador estampar uma advertência, em letras chamativas, em uma parede do centro da cidade: "Senhores visitantes de Delmiro Gouveia, cuidado para não ter uma dor de barriga, pois não temos sanitários públicos"

    Foto: Agência Brasil

  19. Além de não tolerar sujeira, por isso implantou uma espécie de código do bom-tom no município, Delmiro também não permitia o uso de armas de fogo em seus domínios. "Em Pedra, homens e animais - exceto bois, porcos e galinhas - só quem mata é Deus", pregava

    Foto: Agência Brasil

  20. Apesar disso, ainda há muita pobreza em bairros da cidade

    Foto: Agência Brasil

  21. Vendedores ambulantes no centro da cidade

    Foto: Agência Brasil

  22. Os vendedores também lucram com a venda de alimentos nas calçadas do centro

    Foto: Agência Brasil

  23. As crianças brincam na casa que também é o local de trabalho de Vaneide de Brito, 32 anos. Ela faz vassouras e ajuda a sustentar a família

    Foto: Agência Brasil

  24. O programa do Mesa (Ministério Extraordinário de Combate à Fome e Segurança Alimentar), segundo o comitê gestor encarregado das suas ações na cidade, procura associar-se cada vez mais a atividades produtivas, marca do município, incentivando criatórios de peixes, oficinas caseiras de fabricação de vassouras e de aproveitamento de lixo reciclado

    Foto: Agência Brasil

  25. Desempregados jogam bola no Ponto Chic

    Foto: Agência Brasil

  26. Entrada da cidade de Catimbau

    Foto: Agência Brasil

  27. Na Fazenda Porto Seguro, "Meu Rei" como era chamado Sr. Israel, a construção de enormes cisternas energeticas.

    Foto: Agência Brasil

  28. Pôr-do-sol na Fazenda Porto Seguro

    Foto: Agência Brasil

  29. Na praça principal da Fazenda Porto Seguro o busto do "Meu Rei"

    Foto: Agência Brasil

  30. Meu Rei mandou prensar dinheiro com sua foto, que era usado pela comunidade

    Foto: Agência Brasil

  31. O dinheiro tinha o nome de "Talento", um nome bíblico

    Foto: Agência Brasil

  32. Fachada da casa onde viveu "Meu Rei"

    Foto: Agência Brasil

  33. Marluce Florenca de Moura, 3,6 trabalhou 23 anos com Meu Rei. Do lado dela, o artesão do deserto. Ao fundo o túmulo do Meu Rei, embaixo de sua casa

    Foto: Agência Brasil

  34. Aqui os "mediuns" se concentravam com "Meu Rei" para meditação espiritual. A foto de Meu Rei permanece ainda em cima da mesa de meditação

    Foto: Agência Brasil

  35. Aspecto da cisterna ainda com água energética

    Foto: Agência Brasil

  36. Os chamados "artesãos do deserto" são muito comum na região

    Foto: Agência Brasil

  37. Cabaceiras fica a 183,8 quilômetros de João Pessoa, e a 64,9 quilômetros de Campina Grande

    Foto: Agência Brasil

  38. Os gringos, fatigados do litoral, chegam a Cabaceiras para um alumbramento com aquele mundão árido, coisa só vista lá fora no cinema de Glauber Rocha, o baiano que inventou a estética da fome

    Foto: Agência Brasil

  39. Cenário dos filmes "O Auto da Compadecida" (2000), de Guel Arraes, e "São Jerônimo" (1998), de Júlio Bressane, a terra caririense foi descoberta também por turistas europeus - os "galegos de longe", no dizer dos sertanejos

    Foto: Agência Brasil

  40. No município existem pelo menos quatro bodes ou cabras para cada um dos 5 mil habitantes

    Foto: Agência Brasil

  41. O bode resiste ao deserto, alimenta-se até da sombra magra dos seus donos, como diz a mística da região

    Foto: Agência Brasil

  42. No município existem pelo menos quatro bodes ou cabras para cada um dos 5 mil habitantes

    Foto: Agência Brasil

  43. Em Cabaceiras, o local onde cai menos chuva no Brasil, 250 famílias são beneficiadas pelo Programa Leite de Cabra, iniciativa do governo do Estado, em parceria com os criadores da área, que abarca toda a região. As mulheres recebem um litro do produto desde os primeiros dias como gestantes até o filho completar sete anos

    Foto: Agência Brasil

  44. "Na carne de bode, no leite e no queijo do sertão estão em boa parte as justificativas biológicas que respaldam a hoje famosa frase de Euclides da Cunha, de que o sertanejo é, antes de tudo, um forte"

    Foto: Agência Brasil

  45. O rebanho de caprinos e ovinos em todo o Nordeste é de mais de 18 milhões de cabeças. Dos botecos aos restaurantes tidos como sofisticados, lá está o bode, desde a sua simples versão assada até receitas frescas com molhos afrancesados: pizza de bode

    Foto: Agência Brasil

  46. A festa do bode-rei é um estouro. Realiza-se todos os anos, da última semana de maio ao começo de junho. Tem corrida de bode, pizza de bode para dar sustança, drinques com leite de cabra, eleição do melhor bode e até um concurso de beleza para eleger a Rainha do Bode, que reina até a próxima festa

    Foto: Agência Brasil

  47. Cabaceiras, povoado que tem origem em 1735, é conhecida como o lugar onde menos chove no Brasil

    Foto: Agência Brasil

  48. No Cariri, o índice de chuvas por ano fica entre 400 a 700 mililitros, enquanto a média brasileira é de 1,5 mil a 2 mil mililitros

    Foto: Agência Brasil

  49. O leito seco do rio Taperoá, logo na entrada da cidade - para quem chega na estrada de Campina Grande

    Foto: Agência Brasil

  50. O termo Cabaceiras originou-se de uma planta do mesmo nome, muito abundante na região. A planta cabaceira é rasteira, de folhas grandes e produz a cabaça, um fruto de forma oblonga. Quando seca, serra-se a parte superior em forma de gargalo, transformando-o em um ótimo recipiente de água

    Foto: Agência Brasil

  51. Rota do programa Fome Zero, que se junta a iniciativas como a do leite caprino para combater a incerteza diária dos estômagos que roncam o barulho da miséria, o Cariri paraibano também tira do couro do bode o seu sustento

    Foto: Agência Brasil

  52. Lá, o mesmo bicho que já deu a carne, leite e queijo, permite a confecção de chapéus, bonés, cintos, bijuterias, bolsas, calçados, tapetes, cortinas e ornamento para roupas

    Foto: Agência Brasil

  53. No distrito de Ribeira, ainda no município de Cabaceiras, existe a Arteza, uma cooperativa que explora peles de caprinos e mantém 120 famílias no ramo

    Foto: Agência Brasil

  54. Esquecida desde que se tornou uma vila, no começo do século passado, a Guaribas piauiense entrou no mapa, como dizem os mais velhos da cidade, depois de se tornar vitrine e pioneira do programa Fome Zero. "Aqui não chegava nem má notícia, de tão longe e isolado que era". Nem político se lembrava de pedir votos às almas penadas das redondezas

    Foto: Agência Brasil

  55. Ninguém sabe ao certo onde fica a Guaribas do Fome Zero. No posto de gasolina, "Gua-o-quê, meu senhor?", perguntam os frentistas. Os motoristas de lotações nunca foram, os carros de feira nunca chegaram lá. O policial jamais apartou brigas naquele mundo, o poder público esqueceu o caminho faz muito tempo

    Foto: Agência Brasil

  56. Para chegar na primeira, é preciso enfrentar crateras e um deserto de areia. A paciência - aditivada - é o combustível certo para os 653 quilômetros que separam a cidade da capital Teresina

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  57. "No ar, Rádio Esperança, falando diretamente de Guaribas, Piauí, Brasil, cidade piloto do programa Fome Zero". Outra novidade vinda, durante os festejos juninos, foi a rádio local

    Foto: Agência Brasil

  58. A maioria das mães perdeu filhos por conta da desnutrição. "Toda casa já mandou seus "anjinhos" pro colo de Nosso Senhor, num tem jeito", diz um morador. Guaribas nunca teve hospital ou médico


    Foto: Agência Brasil

  59. Novidade é o que não falta na Guaribas descoberta em 2003, como relatam os moradores. A tem um salão de beleza pioneiro na região. "Com chapinha japonesa e tudo", anunciam os donos

    Foto: Agência Brasil

  60. Um projeto, ainda em fase experimental, já permitiu que as donas de casa - por conta da cultura machista, não se vê homem carregando uma lata de água - tivessem acesso ao abastecimento na cidade mesmo

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  61. As condições econômicas miseráveis, a falta de água tratada e a desnutrição fizeram de Guaribas um lugar onde a expectativa de vida é de 56,11 anos, muito abaixo da média nacional de 68,1 anos

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  62. Um dos problemas mais graves, como em toda a nação do semi-árido nordestino e mineiro, é a falta de água em boas condições para uso

    Foto: Agência Brasil

  63. "Meu filho, o Brasil foi descoberto em 1500 e Guaribas foi achada só agora, nesse ano. Aqui era a porteira do fim do mundo", diz Orlando Rocha, 62 anos

    Foto: Agência Brasil

  64. A lata d'água continua na cabeça, mas a distância já é menos sofrida. Em vez de até quatro quilômetros, a água agora fica a alguns metros da porta de casa

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  65. Um processo de tratamento de um reservatório no centro da cidade, desenvolvido por técnicos do governo do Estado como parte do chamado "Sede Zero", começou a mudar a rotina do local

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  66. "Perdi a conta do que já vi de criança virar os "zoinhos" por aqui", diz Maria Isabel da Conceição, uma das moradoras mais antigas da Guaribas pernambucana. "Muitas vezes por falta de uma besteirinha de nada, uma sustançazinha de nada, uma "peinha" de nada"

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  67. Choveu muito na região este ano. O agreste anda verde, quase a desmentir a vocação geográfica para as dificuldades. É tanto sapo na lagoa ao lado que o "foi-não-foi" da cantoria encobre a conversa

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  68. A favela é uma pequena fileira de casas de taipa e de tijolos. Mais adiante, um campo de futebol onde os meninos apostam iguarias. Ao vencedor, doces e bolo de milho

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  69. Cinqüenta e duas famílias remanescentes de escravos moram na Guaribas pernambucana, perto do Recife. É uma comunidade remanescente de quilombos situada no agreste, município de Bezerros, a 108 quilômetros da capital pela BR-232

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  70. A seca é um dos principais agravantes da fome no Brasil. A agricultura é a principal atividade dos vales do Mucuri e do Jequitinhonha

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  71. O menino Léo come o "rebengo", a comida feita das sobras das sobras. O Fome Zero começou em junho, no sertão mineiro. Os comitês gestores do programa, que contam com representantes do poder municipal, sindicalistas, Igreja Católica e sociedade civil, estão prontos para a operação

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  72. A agricultora Antônia Lopes dos Santos, que trabalha o dia inteiro para ganhar R$5,00, mostra as mãos machucadas

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  73. O menino Léo Chagas de Jesus, de Malacacheta, carrega uma banana para comer. Malacacheta é um dos 38 municípios dos vales do Mucuri e do Jequitinhonha escolhidos para o início das atividades do Fome Zero

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