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Deputado quer legalizar milícias no Rio

16 de março de 2007 16h42 atualizado às 16h54

Favorável à legalização das milícias e ao uso de blindados em operações policiais nas favelas; contrário ao desarmameno e à política de cotas raciais; participante da comunidade do Orkut Estuprador merece a morte. Estas são algumas facetas do deputado estadual Flavio Bolsonaro (PP), 25 anos, o mais novo integrante da Comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa do Rio.

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Embora sua visão de direitos humanos questione a própria Declaração Universal dos Direitos do Homem, ele não considera contraditória a sua participação no colegiado.

"Para mim, direitos humanos não são para todos os humanos, porque algumas pessoas não podem nem ser chamadas de seres humanos. São monstros. Os marginais que mataram o João Hélio não podem ter o mesmo tratamento que eu e você", diz.

Filho do ultraconservador deputado federal Jair Bolsonaro (PP), que já foi visto passeando com uma camisa com os dizeres "Direitos Humanos, a excrescência da vagabundagem", o parlamentar tem sido uma voz dissonante na comissão da Alerj.

Na defesa de suas idéias, termina quase sempre como voto vencido. No primeiro mês de seu segundo mandato na Assembléia - foi reeleito com 43.099 votos - Bolsonaro já votou contra a instalação da CPI das milícias e, inclusive, planeja apresentar um projeto regulamentando a atividades das "polícias mineiras".

"As classes mais altas pagam segurança particular, e o pobre, como faz para ter segurança? O Estado não tem capacidade para estar nas quase mil favelas do Rio. Dizem que as mílicias cobram tarifas, mas eu conheço comunidades em que os trabalhadores fazem questão de pagar R$ 15 para não ter traficantes", afirma.

O pepista também questiona o projeto de concessão de indenizações a vítimas de bala perdida. Para ele, é preciso levantar minuciosamente o histórico de cada uma destas pessoas.

Outro alvos das críticas do parlamentar é o sistema prisional do Estado, considerado por ele "uma colônia de férias" de bandidos. "Vários criminosos que conhecem melhor os seus direitos do que a gente saem da cadeia e voltam a cometer crimes. Eles precisam saber que ao serem presos estão na porta do inferno. Marginal só respeita o que tem medo", avalia Bolsonaro, que ligou pessoalmente ao coronel Ubiratan Guimarães em janeiro de 2006 para dar os parabéns pela absolvição do massacre do Carandiru.

Preconceito
O deputado também não economiza munição contra os colegas que "vão às favelas depois de um tiroteio mais interessados nos votos do que no bem-estar daquelas comunidades" e que se opõem à utilização do caveirão pelo Batalhão de Operações Especiais da Polícia Militar. "Convido qualquer um desses a participar de uma operação do Bope e ver como eles são recebidos".

A indicação de Bolsonaro para a Comissão de Direitos Humanos provocou arrepios em entidades ligadas ao setor como o grupo Tortura Nunca Mais.

Para a professora Elizabeth Silveira e Silva, presidente da entidade no Rio, o fato foi um "atraso". "Lamento profundamente que ele tenha sido escolhido, ele não tem perfil nenhum de uma pessoa defensora dos direitos humanos. As declarações dele são opostas à nossa concepção. É incoerente com a proposta da própria comissão ter uma pessoa com uma visão tão deturpada do assunto", avalia.

O presidente da comissão de Direitos Humanos da OAB-RJ, João Tancredo, evita polemizar. "A posição da Ordem é que não importa a pessoa que tenha sido indicada, e sim que o debate se dê da forma mais ampla, e com a participação de todos os setores da sociedade".

Na mesma linha, o vice-presidente da Comissão de Direitos Humanos da Alerj, deputado Marcelo Freixo (PSOL), considera que a participação de Bolsonaro na comissão pode ser positiva. "Existe uma parcela da população que olha para a questão da segurança pública e tem concordância com as opiniões dele, que são opostas às minhas. É uma disputa de visões que se trava na sociedade e no Parlamento, e eu estou disposto a participar e ganhar tanto na sociedade como aqui", diz.

Bolsonaro se queixa de sofrer preconceito da sociedade. "As pessoas me estigmatizam um pouco. Parece até que eu vou sair cortando cabeça de mendigos na rua. Eu apenas não admito ser refém da ditadura do politicamente correto", afirma.

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