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 Amorim: acordo com os EUA terá impacto mundial
10 de março de 2007 14h18 atualizado às 16h27

O ministro de Relações Exteriores, Celso Amorim, disse hoje que o acordo assinado na sexta-feira por Brasil e Estados Unidos para incentivar a produção e o consumo de biocombustíveis terá impacto mundial.

"Eu acho que é um pacto que terá grande efeito a médio e longo prazo para o Brasil, para os EUA e para todos os países da América do Sul, América Latina, África e Ásia; acho que para todo o mundo", afirmou Amorim em declarações feitas em São Paulo.

"O acordo terá influência na matriz energética não só dos dois países, mas também de todo o mundo", acrescentou o ministro ao fazer um balanço da visita do presidente americano, George W. Bush, ao Brasil.

Brasil e EUA aproveitaram a breve visita de Bush a São Paulo para assinar um memorando no qual se comprometem a pesquisar e investir na produção de biocombustíveis. Além disso, serão estabelecidas normas mundiais para que produtos como o etanol possam ser comercializados nos mercados internacionais como matéria-prima energética.

O memorando também prevê a transferência de tecnologia e investimentos para outros países, principalmente da América Central e do Caribe. A medida serviria para aumentar a oferta mundial do combustível alternativo, cuja adoção pode reduzir não só a demanda mundial de petróleo, mas também as emissões de gases poluentes.

Brasil e EUA são responsáveis por 70% da produção mundial de etanol, mas enquanto o país americano precisa aumentar as importações do combustível para satisfazer sua demanda, o sul-americano tem excedentes exportáveis e possibilidades de aumentar significativamente sua produção.

Segundo Amorim, o acordo terá desdobramento em outros países, alguns por desejarem produzir etanol e outros por desejarem consumi-lo.

O chanceler brasileiro lembrou que na semana passada em reunião em Nova York, no âmbito da ONU, foi anunciado um fórum global cuja intenção é transformar o etanol em matéria-prima energética em nível mundial.

"Trata-se do início de uma grande mudança na cultura e na percepção mundial do que representam as energias renováveis", assegurou o ministro.

Além disso, afirmou que "se trata de uma grande mudança porque deixamos de olhar o etanol como um produto agrícola, com todas as proteções que os produtos agrícolas enfrentam no mercado internacional, para vê-lo como matéria-prima energética".

"E não conheço nenhum país do mundo, a não ser por razões fiscais, que imponha restrições às matérias-primas energéticas, porque elas influem no custo total da economia", acrescentou.

Apesar da assinatura do pacto sobre o etanol, o presidente, Luiz Inácio Lula da Silva, não conseguiu convencer Bush, na reunião da sexta-feira, a eliminar as barreiras alfandegárias impostas pelos americanos ao combustível brasileiro.

Embora o Governo dos EUA tenha adotado a meta de reduzir o consumo de gasolina e aumentar o de biocombustíveis, Washington impõe ao produto brasileiro uma tarifa de US$ 0,54 por galão, além de uma taxa de 2,5%.

EFE
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