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Polícia pede prisão de suspeitos de chacina no PA

16 de setembro de 2003 22h06

A Polícia Civil do Pará pediu hoje a prisão preventiva dos cinco suspeitos da chacina na Fazenda Primavera, em São Félix do Xingu. O laudo da Polícia Civil confirmou que sete agricultores e um fazendeiro foram executados.

De acordo com o Jornal Nacional, o resultado da perícia nos corpos revelou que as vítimas não tiveram a chance de se defender, foram assassinadas à queima roupa, com características de execução.

Todos os acusados foram identificados com base no depoimento de uma testemunha, sobrevivente da chacina, que foi levada de avião para Belém e está sob proteção policial. "Escapei porque tinha saído na hora. Aí quando cheguei tava todo mundo morto. E ainda estou sendo ameaçado por essa pistolagem", contou o rapaz ao JN.

A polícia tem apenas os apelidos do assassinos. O retrato falado de dois deles foram divulgados. Eles são conhecidos como Fininho e Sansão. Os outros apelidos estão sendo mantidos em sigilo para não atrapalhar as investigações.

Dois delegados federais estão em São Félix do Xingu para ajudar nas investigações.

Segurança reforçada
O secretário especial de Segurança Pública do Pará, Manoel Santino, anunciou hoje a criação de um destacamento da Polícia Militar em São Félix do Xingu e outro em Novo Progresso, municípios considerados mais violentos do Estado na questão agrária. Além disso, Santino revelou também que o governador Simão Jatene (PSDB) autorizou a contratação de mil homens para se somarem aos cerca de 13 mil da Polícia Militar.

Esse novo contingente será distribuído pelas áreas de conflito agrário, como a chamada Terra do Meio, que se estende de São Félix do Xingu até Altamira, palco de sangrentos confrontos ente madeireiros, grileiros, plantadores de soja, caboclos ribeirinhos, índios e grande latifundiários. As medidas anunciadas pelo secretário visam conter a violência no campo que só este ano já registra 33 assassinatos, incluindo os sete trabalhadores e um fazendeiro executados em São Félix do Xingu.

Santino disse que o governo do Estado está fazendo a sua parte, mas que a eliminação total dos conflitos não se dará simplesmente com uma presença maior da Polícia Militar nestas áreas. Segundo ele, cabe ao governo federal agilizar a reforma agrária, promover assentamentos dignos para os colonos e atuar com firmeza, através do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) para demarcar e vistoriar terras, desapropriando aquelas sem fim social, improdutiva e objeto de contendas entre agricultores, grileiros e supostos proprietários.

"Não faz sentido o governo federal dizer que não tem recursos para fazer a reforma agrária", critica Santino, que era chefe do Ministério Público do Estado na época do massacre de Eldorado do Carajás, em 1996.

Redação Terra