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Nível do rio São Francisco avança e ameaça cidades

10 de fevereiro de 2007 10h51 atualizado às 12h12

Tronco da árvore foi coberto pela água, depois das chuvas no rio São Francisco . Foto: Prefeitura Municipal de Canindé/Divulgação

Tronco da árvore foi coberto pela água, depois das chuvas no rio São Francisco
Foto: Prefeitura Municipal de Canindé/Divulgação

Os municípios à margem do rio São Francisco estão em estado de alerta. O nível das águas chegou a 7 metros acima do normal e não pára de subir em decorrência das fortes chuvas que atingem os Estados de Minas Gerais - onde fica a nascente - e Bahia, onde nove cidades decretaram estado de emergência por causa de inundações. A preocupação maior é com a vazão das barragens construídas ao longo do rio para gerar energia.

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A barragem de Três Marias, em Minas Gerais, elevou a vazão e está liberando 7 mil metros cúbicos por segundo, o que aumenta ainda mais o risco para a região. Quase 1,5 mil quilômetros depois de Três Marias, vem Sobradinho. Em seguida, Itaparica; Paulo Afonso 1, 2, 3 e 4 (na Bahia); Xingó (em Canindé do São Francisco) e Moxotó (Delmiro Gouveia-AL), sendo que Sobradinho foi construída com o objetivo maior de garantir os níveis de água nas barragens abaixo.

Segundo a Agência Nacional de Águas (ANA), as chuvas devem causar mais transtornos à população ribeirinha nos próximos dias. A previsão tem como base dados do Operador Nacional do Sistema Elétrico (NOS), da Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf), da Defesa Civil e de estações da agência operadas pelo Serviço Geológico do Brasil. Essa semana, a ANA enviou uma mensagem eletrônica para as Secretarias Estaduais de Recursos Hídricos de Alagoas, Bahia, Pernambuco e Sergipe alertando para a situação.

"Isso, sem dúvida, vai permitir que as decisões sejam tomadas em tempo hábil e de modo eficaz, amenizando os efeitos de eventos críticos e facilitando o atendimento emergencial à população da região", argumenta Dalvino Franca, diretor da ANA.

O reservatório de Sobradinho, na Bahia, por exemplo, está com 79,1% de sua capacidade de armazenamento. Para manter um espaço vazio no reservatório e evitar o transbordamento de água - o que pioraria a situação -, a vazão máxima de água a ser liberada é de 8 mil metros cúbicos por segundo, conforme definição da Comissão Interministerial de Estudos para Controle de Cheias do rio São Francisco.

Segundo a Chesf, as vazões vão continuar a crescer nos próximos dias, podendo alcançar 7 mil metros cúbicos por segundo durante a próxima semana. Entre 2005 e 2006, o maior volume liberado pelo reservatório foi de 3,6 mil metros cúbicos por segundo. No entanto, as chuvas estiveram concentradas em locais distintos dos deste ano.

Outra situação que preocupa é a do reservatório da Hidrelétrica de Xingó, em Canindé do São Francisco, semi-árido de Sergipe. Segundo o superintendente de Operações e Contratos de Transmissão de Energia, João Henrique de Araújo Franklin Neto, a vazão de 6 mil metros cúbicos por segundo deve se manter até a próxima quarta-feira.

"Continuamos monitorando as chuvas na bacia. Por enquanto, está tudo sob controle, pois ainda estamos em um patamar inferior a 8 mil metros cúbicos por segundo", tranqüiliza o superintendente.

Essa quantidade foi suficiente para invadir boa parte dos bares e restaurantes que ficam na praia de Canindé, cujo nível da água sobe a cada dia. "Estou com muito medo. O carnaval se aproxima e nós, pequenos comerciantes, só temos a perder", lamenta Antônia Ferreira, uma das comerciantes ameaçadas pelas águas.

Força-tarefa
Para amenizar as conseqüências do aumento do nível do rio São Francisco, o governo de Sergipe e prefeitos da região do Baixo São Francisco criaram uma Sala de Situação estadual, que vai funcionar como uma espécie de central, reunindo todos os órgãos envolvidos em situações de seca, enchente e outras necessidades. A medida foi tomada durante uma reunião que aconteceu hoje.

A sala será coordenada pela Secretaria de Inclusão e Desenvolvimento Social e reunirá Defesa Civil, Samu Estadual e outros setores da Secretaria de Saúde, Corpo de Bombeiros e Polícia Militar. "Sempre que Sergipe precisar, esta comissão vai entrar em ação", esclarece o tenente-coronel do Corpo de Bombeiros e coordenador da Defesa Civil Nailson Santos.

"Nós temos problemas, mas ainda não estamos numa situação crítica. Como a enchente não depende só da vontade do ser humano, mas da natureza, estamos nos preparando para evitar maiores problemas", afirma o coordenador.

A prefeita de Poço Redondo, Iziane Pionório (PL), confirma que a principal preocupação na cidade é com os povoados ribeirinhos. Ela enfrenta uma situação atípica no município. Enquanto regiões não têm água em decorrência da seca, em outras que ficam à margem do São Francisco as atenções se voltam às possíveis conseqüências da cheia.

"Povoados como Curralinho, São José, Cajueiro e Jacaré, este último já isolado, nos preocupam muito. Temos uma população ribeirinha com perigo de enchente e, por outro lado, pessoas na seca", relata.

Redação Terra