inclusão de arquivo javascript

 
 

Como é feito o crack e como age a droga

06 de janeiro de 2007 09h59 atualizado às 10h09

O crack é uma mistura de cocaína em forma de pasta não refinada com bicarbonato de sódio. Ela se apresenta na forma de pequenas pedras e pode ser até cinco vezes mais potente que a cocaína. Ao contrário da maioria das drogas, o crack não tem sua origem ligada a fins medicinais, ele já nasceu como uma droga para alterar o estado mental do usuário. O nome "crack" vem do barulho que ele faz quando está sendo queimado para ser consumido.

» Grupo apóia usuários de crack
» Crack é responsável por 90% dos homicídios em Curitiba

Para Maria Cristina Venâncio, psicóloga e coordenadora do Cape da Divisão de Narcóticos (Dinarc) de Curitiba (PR), o crack, por ser fumado, alcança o pulmão, órgão intensivamente vascularizado e com grande superfície, levando a uma absorção instantânea. "Através do pulmão, cai quase imediatamente na circulação, chegando rapidamente ao cérebro. Com isso, pela via pulmonar, o crack encurta o caminho para chegar ao cérebro, e os efeitos surgem muito mais rapidamente do que por outras vias. Em 10 a 15 segundos, os primeiros efeitos já ocorrem, enquanto os efeitos após 'cheirar pó' surgem após 10 a 15 minutos, e, após injetar entorpecentes, entre 3 e 5 minutos", explica Cristina.

Ela ainda afirma que essa característica faz do crack uma droga "poderosa" do ponto de vista dos seus potenciais de abuso, uma vez que o prazer acontece quase instantaneamente após uma "pipada" (fumada no cachimbo).

Duração rápida
"A duração dos efeitos do crack é muito rápida. Em média, cerca de 5 minutos, enquanto a injeção intravenosa ou a inalação faz os efeitos durarem de 20 a 45 minutos. Essa curta duração leva o usuário a procurar a droga com mais freqüência, levando-o à dependência muito mais rapidamente que os usuários de cocaína, por exemplo, e a um gasto financeiro muito maior", analisa a psicóloga.

Logo após a "pipada", o usuário tem uma sensação de grande prazer, intensa euforia e poder. A compulsão para utilizar a droga repetidamente dá-se o nome popular de "fissura", que é uma vontade incontrolável de sentir novamente os efeitos da droga. A "fissura" do crack é avassaladora, já que os efeitos da droga são muito rápidos e intensos. Além desse "prazer", o crack provoca também um estado de excitação, hiperatividade, insônia, perda de sensação do cansaço e falta de apetite. "Em menos de um mês, ele perde muito peso, de 8 a 10 kg, e num tempo maior de uso ele pode perder todas as noções básicas de higiene, ficando com um aspecto deplorável", ressalta Cristina.

Desespero por uma nova dose
De acordo com a psicóloga, após o uso intenso e repetitivo, o usuário experimenta sensações muito desagradáveis, como cansaço e intensa depressão. A tendência do usuário é aumentar a dose na tentativa de sentir efeitos mais intensos. Porém, essas quantidades maiores acabam por levar o viciado a comportamento violento, irritabilidade, tremores e atitudes bizarras devido ao aparecimento de paranóia (chamada entre eles de "nóia").

Esse efeito provoca um grande medo nos usuários de crack, que passam a vigiar o local onde usam a droga e a ter uma grande desconfiança uns dos outros, o que acaba levando-os a situações extremas de agressividade. Eventualmente, podem ter alucinações e delírios. Além dos sintomas descritos, o usuário de crack perde de forma muito marcante o interesse sexual.

"Mulheres usuárias de crack prostituem-se para obter a droga e geralmente o fazem sob efeito da fissura. Nesse estado, perdem a noção do perigo, não conseguem proceder a um sexo seguro, expondo-se a doenças sexualmente transmissíveis e, ainda, podendo transmitir o vírus a seus parceiros sexuais. Isso é mais uma mostra do grau do comprometimento do comportamento e ações do dependente de crack", conclui.

Redação Terra