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Há um ano Tim Lopes era executado por traficantes

02 de junho de 2003 07h27

Há um ano, o brutal assassinato do jornalista Tim Lopes - durante a realização de uma reportagem sobre bailes funk e tráfico de drogas nos subúrbios do Rio -, chocou o País. O repórter da Rede Globo, de 51 anos, foi executado por traficantes na Favela da Grota, ao ser descoberto com uma microcâmera, tentando filmar a venda de drogas no local. O crime teve repercussão internacional e motivou manifestações contra a violência e em defesa da liberdade de expressão.

Tim Lopes recebe uma semana de homenagens
A Comissão Tim Lopes, o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro e a Associação Brasileira de Imprensa vão realizar um ato ecumênico em homenagem ao jornalista Tim Lopes. O evento será aberto a amigos, colegas de profissão e admiradores do jornalista.

A cerimônia está marcada para as 12h deste dia 2 de junho, quando se completa um ano da sua morte. Durante o ato, realizado no 9º andar da sede da ABI, será lançado um carimbo dos Correios em homenagem ao jornalista Tim Lopes.

Vão estar presentes familiares de Tim, líderes religiosos e comunitários, parlamentares e familiares de vítimas da violência. A ABI fica na rua Araújo Porto Alegre, nº 71 , no Centro do Rio de Janeiro.

No dia 3 de junho, às 11h vai haver uma missa no convento Santo Antonio, no Largo da Carioca, ministrada pelo frei Davi, amigo Pessoal de Tim Lopes. Às 18h30, também nesta terça-feira, A Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro vai realizar uma Sessão Especial em homenagem ao vascaíno Tim Lopes, proposta pelo deputado estadual Roberto Dinamite, ex-centroavante do clube.

Na quarta-feira, 4 de junho, é a vez da Câmara dos Deputados, em Brasília, realizar uma sessão solene do Dia Nacional da Imprensa com uma homenagem póstuma a Tim Lopes, proposta pelo deputado federal Daniel Almeida. E no domingo, dia 8, vai haver um culto ecumênico na Igreja de Sant´Anna, na praça Onze, no Rio de Janeiro, às 14h. Acontecerá um encontro dos Núcleos do Educafro - pré-vestibular implantado pelo frei Davi.

Execução no morro
A ousadia do experiente jornalista foi punida com a morte. Uma vez reconhecido pelos traficantes durante uma matéria sobre o abuso de menores e o tráfico de drogas em um baile funk promovido na Vila Cruzeiro, na Penha, Tim Lopes foi seqüestrado, julgado, espancado e morto pelo grupo de Elias Pereira da Silva, o Elias Maluco, um dos líderes do Comando Vermelho.

O jornalista foi levado para o topo da Favela da Grota, no Complexo do Alemão. Seu corpo foi queimado em um local conhecido como microondas, onde diversas ossadas revelaram a ocorrência quase corriqueira dessas execuções no morro. No dia 12 de junho, após intensas buscas, restos do corpo de Tim Lopes foram encontrados na Pedra do Sapo. Seu corpo foi enterrado pela família apenas no dia sete de setembro, no cemitério Jardim da Saudade, na Zona Oeste do Rio de Janeiro.

Conforme depoimentos de bandidos ligados a Maluco, o traficante teria matado Tim Lopes pessoalmente com uma espada de samurai. Ainda de acordo com esses depoimentos, o jornalista teria sido esquartejado com facas e queimado entre pneus e gasolina.

Além de Elias Maluco, foram presos pelo crime Fernando Satyro da Silva, o Frei, Renato de Souza Paulo, o Ratinho, Elizeu Felício de Souza, o Zeu, Ângelo Ferreira da Silva, o Primo, Reinaldo Amaral de Jesus, o Kadê e Claudino dos Santos Coelho, o Xuxa.

O assassinato de Tim Lopes levou sindicatos de jornalistas, unidos a parentes e amigos do jornalista, a organizar diversas manifestações públicas contra a violência no Rio de Janeiro e pela liberdade de imprensa. O caso, somado a diversos outros registros de violência a jornalistas no país, fez com que o Brasil fosse apontado como o terceiro país mais perigoso para profissionais desta área nas Américas, de acordo com a Comissão de Impunidade da Sociedade Interamericana da Imprensa (SIP).

Redação Terra