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Comando Vermelho invade morro e mata dois no Rio

07 de agosto de 2006 07h20

A guerra do tráfico resultou em uma madrugada de morte e tiroteio no Morro do Vidigal, em São Conrado, no Rio de Janeiro. Vinte homens do Comando Vermelho (CV), armados com fuzis e vestidos com roupas pretas, semelhantes a de agentes das polícias Federal e Civil, invadiram, por volta das 4h, a favela, que é controlada pela facção Amigos dos Amigos (ADA). Houve confronto entre os bandidos e quatro moradores foram baleados, dois morreram.

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A ação foi chefiada por Júlio Lira da Silva, o Biuiú ou B1, 23 anos. Desafeto da comunidade, o traficante aparece num cartaz do Disque-denúncia do tráfico do Vidigal, que oferece R$ 25 mil pela captura ou morte dele.

Duas vítimas, Marcos Vinícius Freire de Souza, 24 anos, e Hélder Gonçalo Ferreira, 18, foram mortas na Rua João Goulart, quando voltavam de uma festa julina. A balconista Diana Macedo da Silva, 17, estava no mesmo local com o namorado, mas conseguiu correr. Ela foi atingida no braço esquerdo e nas nádegas por estilhaços. Bruno Souza da Silva, 21 anos, foi ferido na perna esquerda. Eles foram atendidos no Hospital Miguel Couto, no Leblon. Os três rapazes trabalhavam como mototáxi na favela. Em sinal de luto, o serviço não funcionou durante todo o dia.

Para invadir o Vidigal, B1 reuniu bandidos da Mangueira, Pavão-Pavãozinho e do Cantagalo. Os fuzis usados no ataque teriam sido adquiridos com o dinheiro do assalto ao Bingo Botafogo, ocorrido no último dia 10, do qual ele também participou. Os uniformes da polícia também foram os mesmos que eles vestiram no roubo a casa de jogos.

A quadrilha chegou em duas vans - uma que faz linha em Niterói e outra de cor branca - e subiu a pé pelo Beco do 14, um dos acessos que fica na Avenida Niemeyer. Sob os gritos de "avermelhou", eles saíram atirando. Os disparos eram ouvidos até por volta das 8h30. A polícia teve a informação de que o bando de B1 tinha expulsado alguns moradores das localidades de Pedrinha e Biroscão e ocupado suas casas. Com medo, várias famílias passaram o dia na parte baixa da favela.

O Batalhão de Operações Especiais (Bope) chegou com dois blindados em apoio ao 23º BPM (Leblon). Toda área de vegetação, onde os homens do CV estariam escondidos, foi vasculhada, mas nada foi encontrado.

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