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Túnel é usado como cemitério clandestino no Rio

13 de julho de 2006 07h35 atualizado às 09h40

Agentes da Delegacia Anti-Seqüestro suspeitam que o corpo de Priscila Belfort esteja no túnel. Foto: O Dia

Agentes da Delegacia Anti-Seqüestro suspeitam que o corpo de Priscila Belfort esteja no túnel
Foto: O Dia

A polícia descobriu que túnel de 315 metros de extensão, que passa por dentro do Morro da Providência, no Centro do Rio de Janeiro, é usado pelo tráfico da favela como cemitério clandestino e esconderijo de armas e drogas. A passagem também é rota de fuga dos bandidos durante operações policiais. Agentes da Delegacia Anti-Seqüestro (DAS) suspeitam que o corpo da estudante Priscila Belfort Vieira esteja lá. Hoje, os policiais vão ao local para - com escavações e varredura minuciosa - tentar localizar os restos mortais da irmã do lutador Vítor Belfort, desaparecida desde 2004.

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O túnel do tráfico foi descoberto no início da semana, em operação da DAS, com apoio da PM, para checar informações enviadas ao serviço Disque-Denúncia - (21) 2253-1177. Desativado há 12 anos, o túnel dos Marítimos, por onde passavam trens de carga, estava abandonado e, por isso, a polícia também contou com apoio de técnicos da Defesa Civil Estadual e dos bombeiros.

Ontem os agentes da DAS acharam no túnel 150 cartuchos de munição 7.62, 76 de calibre 40, um de calibre 12, um carregador, uma granada lacrimogênea GL 301 e diversos objetos, como bolsas e coldre de tecido verde que podem ser de vítimas. Os policiais também recolheram saco plástico com parafusos e porcas, além de fragmentos de artefatos que podem ter explodido no túnel.

Para a busca aos restos mortais de Priscila, os policiais pediram auxílio da RioLuz para iluminar a passagem. Um canal na área começou a ser dragado ontem. "Só assim poderemos ter noção dos crimes cometidos lá", afirma o delegado Alexandre Neto. "Esse túnel era usado para vários crimes. Ontem, por exemplo, encontramos vestígios de fogo". No chão do túnel, os agentes viram pelo menos duas manchas de sangue. Peritos vão ao local hoje para colher amostras e analisar o local. Alexandre Neto vai ouvir moradores de casas próximas à entrada do túnel.

Segunda-feira, O Dia noticiou que o traficante Pablo Pierre Mendes do Amparo, investigado pela morte de Priscila, foi morto pelo chefão do pó da comunidade Evanílson Marques da Silva, o Dão. De acordo com a polícia, a ordem para a execução foi dada pelo irmão de Dão, o traficante Leonardo Marques da Silva, o Sapinho, preso em Bangu 1. Pablo, segundo agentes da DAS, pode ter sido morto no túnel dos Marítimos e depois jogado no Canal do Mangue, perto do Sambódromo, onde foi encontrado na segunda-feira de manhã.

A polícia investiga duas hipóteses para o crime: uma delas é a de que a morte de Priscila atraiu a polícia para o morro, causando prejuízo na venda de drogas. A outra dá conta de que Pablo estaria reunindo armas, drogas e dinheiro para aplicar nos irmãos um golpe e assumir as bocas-de-fumo.

Recompensa
O valor do prêmio para quem fornecer informações precisas sobre o paradeiro do corpo de Priscila Belfort subiu para R$ 30 mil no mês passado. Do valor, R$ 10 mil são oferecidos pelo Disque-Denúncia, que até a noite de ontem havia recebido 482 denúncias sobre o caso, diversas delas afirmando que Priscila está no Morro da Providência. A outra parte do prêmio é oferecida pela família da estudante.

A prefeitura tem projeto para transformar o túnel em uma avenida, ligando a zona portuária ao Centro. A via criará um acesso direto entre a avenida Rodrigues Alves e a rua Senador Pompeu A obra, que cria um acesso alternativo ao Centro, faz parte do projeto de revitalização da zona portuária.

Redação Terra