Uma decisão da desembargadora Maria das Graças Bandeira impediu que o empresário José Ferreira da Silva Filho, o Zé Capeta, abrisse uma cratera gigante no garimpo do Juma, Sul do Amazonas, repetindo o desastre ambiental em Serra Pelada nas décadas de 70 e 80.
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O buraco seria aberto no meio do garimpo para fornecer água à atividade de remoção das grotas, onde se encontra o ouro, com o uso de "bicos de jato".
Segundo duas lideranças do garimpo, André Brasil e Deuzamira Guedes, a mineração cresceu muito dentro da selva e está faltando água para a extração do metal.
"Existem pelo menos mil homens trabalhando no Juma", conta Brasil.
O verdadeiro proprietário das terras, Flávio Moreira Veras, reassumiu no domingo, por ordem judicial, o controle de sua área e decretou o fim da ameaça que pairava sobre aquela área de floresta.
"O Juma não se tornará uma nova Serra Pelada", prometeu Flávio Moreira, que denunciou, porém, a derrubada de 300 hectares de mata nativa, equivalente a 300 campos de futebol.
Ilegal
Duas estradas foram construídas ilegalmente para permitir o acesso ao garimpo a partir da rodovia Transamazônica, no Sul do Amazonas.
"Além de perder suas terras, o verdadeiro proprietário também amargou sérios prejuízos ambientais porque a área foi dizimada pela extração do ouro", diz a desembargadora Maria das Graças Bandeira, em sua sentença de reintegração de posse.
Nos 14 meses de funcionamento do garimpo, 15 toneladas de ouro foram extraídas das encostas da floresta, conforme dados de integrantes da Cooperativa dos Garimpeiros.
O empresário José Ferreira da Silva Filho, o Zé Capeta, disse que não vai desistir do garimpo porque foi ele que o encontrou e nele investiu todas as suas economias.
O advogado de Flávio Veras, Luiz Braz, disse que esse ato de Zé Capeta pode representar desobediência civil.
"Ele pode se complicar por causa disso", disse o advogado.
Crimes
O garimpo, que mantém um destacamento de oito homens da Polícia Militar do Amazonas para evitar violência, vinha se tornando palco de pistolagens nos últimos três meses.
Na semana anterior à reintegração de posse, dois corpos apareceram boiando no Rio Juma, próximo ao garimpo. Segundo informações da Cooperativa do Juma, os cadáveres seriam dos garimpeiros comerciantes. Funcionários garantem que os corpos pertencem aos garimpeiros Carlos Souza e José da Mata.


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